O fotógrafo brasileiro Gui Christ foi premiado como o melhor do mundo na categoria Retratos do Sony World Photography Awards 2025. O prêmio foi dado pelo seu projeto “M’kumba”, que explora a cultura afro-brasileira e a luta contra o racismo religioso. Gui explica que “M’kumba” é um espaço de culto aos ancestrais, e suas fotos abordam a perseguição religiosa e a importância dos símbolos africanos no Brasil. Uma das imagens premiadas mostra um jovem iniciado em Exu, simbolizando a força da divindade, enquanto outra retrata a resistência dos terreiros durante a proibição do tambor. O trabalho também resgata a imagem original de Iemanjá, representando-a como uma mulher negra e corpulenta. Gui dedicou o prêmio aos 5 milhões de escravizados que vieram ao Brasil e seus descendentes, afirmando que é uma vitória da cultura afro-brasileira. Nesta edição do prêmio, foram recebidas 413 mil inscrições de mais de 200 países.
Fotógrafo brasileiro Gui Christ vence prêmio internacional com projeto sobre cultura afro-brasileira
O fotógrafo documentarista Gui Christ foi eleito o melhor do mundo na categoria Retratos do Sony World Photography Awards 2025. A premiação, anunciada nesta quarta-feira (16) em Londres, reconhece seu projeto “M’kumba”, que retrata a cultura afro-brasileira e a luta contra o racismo religioso.
O projeto, segundo o artista, busca resgatar a ancestralidade e combater a intolerância. “M’kumba é um encontro de sábios, um espaço de culto aos ancestrais”, explica Gui Christ, referindo-se à origem do termo em Congo-Angola.
A obra de Gui Christ destaca-se por abordar temas como a perseguição religiosa e a ressignificação de símbolos africanos no Brasil. Uma das fotos premiadas, “Quando Exu atravessou o Atlântico para apoiar seu povo”, retrata um jovem iniciado em Exu sobre as águas, simbolizando a travessia e a força da divindade.
Outra imagem marcante, “N’goma chama aqueles que vivem longe”, evoca a resistência dos terreiros durante o período em que o tambor era proibido no país. A foto busca resgatar a importância do instrumento na cultura afro-brasileira.
A representação de Iemanjá também é um ponto central do trabalho. Gui Christ questiona a imagem eurocêntrica da orixá, popularmente retratada como uma mulher branca, e resgata sua representação original, como uma mulher negra e corpulenta, símbolo de fertilidade e força.
O fotógrafo dedicou o prêmio aos 5 milhões de escravizados trazidos ao Brasil e a seus descendentes. “É uma vitória da cultura, da religiosidade e do povo afro-brasileiro”, declarou Gui Christ.
O Sony World Photography Awards recebeu 413 mil inscrições de mais de 200 países nesta edição. O prêmio principal de Fotógrafo do Ano foi para o britânico Zed Nelson, com o ensaio “A Ilusão do Antropoceno”.
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