- A exposição Paul Klee: Other Possible Worlds no Jewish Museum, em Nova York, abriu no dia 20 de março, mas o centerpiece ficou ausente.
- Angelus Novus, de 1920, permanece retido em Israel devido a suspensões de voos causadas pela guerra na região; o gabinete de exibição mostra uma cópia autorizada no lugar.
- A obra original pode ser exibida apenas por quatro semanas seguidas por questões de sensibilidade à luz, sendo substituída pela réplica durante a mostra.
- A exposição foca em obras posteriores de Klee e em respostas ao ascensão do Nazismo; Angelus Novus foi comprado por Walter Benjamin em 1921.
- Benjamin, que descreveu a peça como um “anjo da história”, e Klee tiveram trajetórias coincidentes durante o exílio de ambos no início da segunda metade do século XX; Angelus Novus pertence ao Israel Museum desde 1987.
A abertura da exposição Paul Klee: Other Possible Worlds, no Jewish Museum de Nova York, ocorreu conforme o previsto em 20 de março, mas o centro da mostra ficou ausente. Angelus Novus (1920), a obra em óleo e aquarela que era o destaque, permanece retida em Israel devido a suspensões de transporte aéreo causadas pela guerra na região. No local, foi instalado uma cópia autorizada da obra, fixada em um painel vermelho reentrante em uma galeria vazia.
A curadoria informou que o original só pode ser mostrado por quatro semanas por questões de sensibilidade à luz. A exposição foca nos trabalhos tardios de Klee e na reação do artista ao ascenso nazista, com a figura de Angelus Novus destacando-se como símbolo de crítica histórica.
A peça central foi adquirida por Walter Benjamin em 1921, no contexto da relação entre o pensador alemão e o pintor. Benjamin, que viveu exilado após o ascenso do Terceiro Reich, descrevia a imagem como “anjo da história” que observa a devastação do passado enquanto a tempestade do progresso o empurra para o futuro.
Ausência do centerpiece
O Angelus Novus permanece sob custódia do Israel Museum, em Jerusalém, desde 1987, com condições climáticas rígidas para conservação. A obra está fora de exibição desde o último empréstimo público, em 2025, no Bode-Museum, em Berlim.
Embora criado após a Primeira Guerra Mundial, o trabalho de Klee dialoga com o período de ascensão nazista. A exposição atual destaca a reação de Klee ao regime, assim como o impacto de Benjamin, que enfrentou perseguição antissemita na Alemanha e se exilou na França.
O conjunto expositivo apresenta ainda peças posteriores de Klee que refletem o contexto histórico e político da época, com foco na resposta artística ao ambiente de repressão e censura cultural. A curadoria busca situar o público sobre a trajetória de Klee e a relação entre a obra e sua recepção histórica.
A ausência temporária do original não altera o objetivo da mostra, que segue com a apresentação de obras múltiples de Klee e análises sobre as transformações artísticas provocadas pelo totalitarismo, até 26 de julho.
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