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Milhares de pipas que enchiam os céus das cidades indianas estão desaparecendo

Tradição de pipas na Índia definha diante de calor extremo e acidentes com cordas afiadas, enquanto gadgets e urbanização afastam moradores das alturas

Vijay Pandey A man in a red vest and a colourful wrap around his waist standing on a roof top flying a red kite with the tower and dome of the Jama Masjid Mosque in Old Delhi in the background (Credit: Vijay Pandey)
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  • A tradicional prática de soltar pipas na Índia vem diminuindo devido a ondas de calor, acidentes com cordas afiadas e o avanço de gadgets digitais.
  • O legado de Bhai Mian e a trajetória dos irmãos Jamaluddin ilustram o auge da prática, que já teve recorde de milissentos de pipas em uma única linha, décadas atrás.
  • No mercado Lal Kuan, Old Delhi, as vendas despencaram: de mais de vinte lojas, hoje restam apenas cinco, com pipas tornando-se item sazonal.
  • As cordas conhecidas como manjha, revestidas de vidro ou metal, já provocaram mortes e ferimentos graves; o governo de Delhi proibiu, em 2017, a fabricação, venda e uso dessas cordas afiadas, ainda que haja comércio ilícito.
  • Defensores sustentam que a prática é parte do patrimônio cultural e pode manter jovens longe das telas; alguns veteranos continuam a competir e a preservar lembranças do passado.

O kiteflying, outrora uma tradição vibrante em várias regiões da Índia, enfrenta declínio acentuado. O calor extremo, vendavais e relatos de mortes ligadas às linhas cortantes têm reduzido a prática em rodas de telhado e festivais anuais.

A história de Bhai Mian, considerado o padrinho do kiteflying, mostra a dimensão do passado. Ele já ergueu milhares de pipas com cordões de alta resistência, lançando cores em céu aberto e inspirando gerações de jovens.

Hoje, a prática atrai cada vez menos participantes. Além do desgaste gerado pela tecnologia, o aumento das temperaturas empurra as pessoas para dentro de casa, afastando a atividade ao ar livre.

A tradição tem raízes antigas no subcontinente, com referências históricas que remontam a séculos. Ainda hoje, muitos associam a pipas a celebrações de independência e festas sazonais.

Desafios e mudanças de cenário

Torneios de luta de pipas costumavam atrair multidões em campos abertos, com cordões reforçados e frequentemente cobertos por materiais abrasivos. A competição exige foco, equilíbrio e reflexos aguçados.

Especialistas apontam riscos diretos para pedestres e motoristas. Em alguns casos, linhas afiadas provocaram ferimentos graves, aumentando o debate sobre proibições e medidas de segurança.

Os vendedores de Lal Kuan, Old Delhi, relatam queda de fluxo com o tempo. Antes, mais de 20 lojas vendiam pipas; hoje restam cerca de cinco, com vendas concentradas em feriados e datas específicas.

Digitalização e lazer móvel também afetam a demanda. Dispositivos eletrônicos, redes sociais e televisão desviam o interesse, enquanto o calor impede voos mais longos ou frequentes.

Kite-f supporters defendem que a prática ainda é parte da herança cultural compartilhada entre comunidades. Além de lembrar a luta pela liberdade, a atividade também promove socialização e lazer ao ar livre.

Riscos à saúde e políticas públicas

Casos de injúrias com linhas de vidro promovem debates sobre restrições. Em Delhi e estados vizinhos, há leis que limitam a fabricação e venda de linhas cortantes, com impactos sobre o comércio local.

Pesquisadores sugerem soluções simples, como um loop metálico na frente de veículos para proteger motociclistas de linhas cruzadas, embora a adoção varie por região.

Jornalistas consultados destacam que a mortalidade causada por linhas cortantes já mobiliza campanhas de conscientização, apesar de o comércio ilegal persistir em algumas áreas.

Em meio a perdas, alguns veteranos seguem na luta. O veterano Ghayas, hoje na casa dos 60, mantém medalhas e pipas antigas como lembrança, usando a prática para enfrentar problemas de saúde e manter o ânimo.

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