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Levantamento mostra método de apuração de shows em prefeituras do país

Levantamento do UOL mostra que prefeituras com menor capacidade de pagamento gastaram R$ 2,1 bilhões em contratações de shows nos últimos dois anos

Natanzinho Lima se apresenta na Expoferr Show em Boa Vista em 5 de novembro de 2025
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  • UOL aponta que prefeituras com baixo nível financeiro gastaram R$ 2,1 bilhões em shows nos últimos dois anos (2024–2025).
  • Levantamento usou dados do Portal Nacional de Contratações Públicas, filtrando inexigibilidade de licitação para contratos de natureza artística.
  • Ao todo foram identificados 85 mil contratos envolvendo 21 mil empresas, totalizando R$ 5,2 bilhões.
  • o levantamento reconhece subestimativas devido a contratos sem inexigibilidade, objetos não preenchidos e cidades sem dados no PNCP.
  • Foram identificadas contratações em 2.610 cidades; prefeituras com nota Capag C ou D somaram o montante de R$ 2,1 bilhões nesses contratos.

A primeira grande avaliação sobre gastos de prefeituras com shows e apresentações artísticas mostraR$ 2,1 bilhões investidos por cidades com problemas financeiros nos últimos dois anos. O levantamento analisou contratações feitas por meio de inexigibilidade de licitação, modalidade usada para serviços considerados únicos, como apresentações artísticas.

A apuração foi baseada em dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), compilados pela equipe do UOL com apoio da ONG Transparência Brasil. O PNCP reúne contratos firmados por prefeituras, estados e outros órgãos públicos. A obrigatoriedade de publicação vale para municípios com mais de 20 mil habitantes desde 2024.

Ao todo, a reportagem identificou 85 mil contratos entre 2024 e 2025, envolvendo 21 mil empresas. O montante somado chega a R$ 5,2 bilhões. A maior parte dos registros envolve contratação de artistas, bandas e apresentações diversas, filtradas por descrições como show, artista, cachê e apresentação.

Entretanto, o levantamento admite limitações. Existem contratações sem inexigibilidade, registros com objeto não preenchido e municípios que ainda não publicam dados no PNCP. Também não há marcador único que indique que uma contratação se refere a show, o que pode subestimar o total verificado.

Para mensurar o impacto fiscal, os dados foram cruzados com o indicador Capag, que classifica a saúde financeira municipal. Prefeituras com notas C ou D acumularam R$ 2,1 bilhões em contratações artísticas no período analisado, entre 2024 e 2025.

As notas de Capag podem mudar ao longo do tempo, o que pode deslocar municípios entre faixas de classificação. Mesmo assim, a apuração contempla contratos de 2024 e 2025, abrangendo 2.610 cidades diferentes.

Metodologia e limites

O conjunto de dados foi filtrado para identificar objetos ligados a apresentações artísticas, com palavras-chave como show e cachê. Casos ambíguos foram removidos com ferramentas de inteligência artificial para evitar confusão com itens não artísticos.

A apuração contou com apoio técnico da Transparência Brasil na obtenção das bases governamentais e na conexão com os dados do PNCP. O objetivo é mapear, na medida do possível, as contratações em cidades brasileiras sem pretender cobrir todos os contratos disponíveis.

Fontes citadas pela reportagem incluem o PNCP e dados do Tesouro Nacional para o índice Capag, que mensura a capacidade de pagamento dos municípios. As informações classificadas não representam opinião editorial, mas sim o retrato das contratações públicas sob o prisma financeiro.

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