- O STF foi importante para defender a democracia durante o governo de Jair Bolsonaro, atuando contra desinformação, investigações sobre atos antidemocráticos e em ações relacionadas à pandemia, além de o Tribunal Superior Eleitoral zelar pela integridade das eleições.
- No segundo período, a Corte manteve firmeza ao julgar golpistas e responsáveis pelos eventos de 8 de janeiro, fortalecendo o Estado Democrático de Direito.
- Críticas antigas a condutas do STF, como monocratismo e promiscuidade com interesses privados, são lembradas por especialistas; Rosa Weber tentou enfrentar parte dessas questões, com alcance limitado.
- Revelações recentes envolvendo dois ministros do STF, ligados ao inquérito das fake news e a relações com o Banco Master, ampliam críticas e levantam dúvidas sobre conflitos de interesse.
- Pesquisas indicam que parte da população vê o STF com poder excessivo, e há apoio para propostas de impeachment de ministros; há também movimento político que busca ganhar apoio para essa pauta.
O Supremo Tribunal Federal foi peça-chave na defesa da democracia durante e após o governo de Jair Bolsonaro. No primeiro mandato, atuou como bastião contra ataques ao regime democrático, ao Estado de Direito e à ordem federativa, incluindo o combate à desinformação, investigações sobre atos antidemocráticos e a atuação na pandemia. O Tribunal Superior Eleitoral, ligado ao STF, zelou pela integridade eleitoral e pela defesa do voto.
No segundo período, a firmeza do STF no julgamento de figuras ligadas a golpes, bem como dos apoiadores dos ataques de 8 de janeiro, mostrou a capacidade do Estado Democrático de Direito de enfrentar ofensivas contra si. Críticos destacam que a tradição de tolerar irregularidades contra a democracia foi superada pela atuação judicial.
Esse regime de tensão trouxe riscos e custos. A partir do início do governo Bolsonaro, especialmente após o inquérito das fake news atingir o bolsonarismo, o STF passou a ser visto por setores extremistas como alvo principal. Eventos como pedidos de fechamento da corte e ataques simbólicos contribuíram para esse clima.
Um ministro ganhou relevância nesse período: Alexandre de Moraes, que assumiu a relatoria do inquérito das fake news, criado de ofício pela presidência do STF em 2019. A escolha refletiu a avaliação de que precisava de ações extraordinárias diante da ameaça.
Críticas históricas ao STF, como monocratismo, pedidos de vista e contatos com interesses privados, já vinham sendo discutidas antes do bolsonarismo. Analistas apontam falhas de governança e sugerem ajustes para ampliar a confiabilidade institucional.
Durante esse contexto, revelações recentes sobre dois magistrados da Corte e ligações com o Banco Master ampliaram questionamentos sobre conflitos de interesse. A resistência a declarar impedimentos em casos com potencial conflito preocupa parte da opinião pública.
A ultradireita sinalizou, em 2026, o impeachment de ministros do STF como meta eleitoral, buscando ampliar sua base de apoio com uma plataforma de ruptura institucional. A agenda, porém, carece de aprovação ampla entre moderados.
Uma pesquisa recente indica que 72% dos brasileiros entendem que o STF tem poder excessivo. Ao mesmo tempo, 51% reconhecem a importância da Corte para a democracia, e 66% desejam apoiar candidatos com posição favorável ao impeachment de ministros.
A maioria parlamentar de ultradireita pode ampliar tentativas de cassação de juízes e criar condições de enfraquecer o STF ou atacar alicerces do Estado Democrático de Direito. O paradoxo reside na função dupla do mesmo tribunal que defende a democracia e, por vezes, facilita seu questionamento.
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