- A Coleção MSCHF salvou Angus, que viverá em um santuário após a experiência de venda de tokens que previam comida e couro a partir da vida da vaca.
- O projeto permitia que compradores retornassem seus tokens via “remorse portal” para impedir o abate, definindo a vida do animal pela participação dos usuários.
- O objetivo era provocar reflexão sobre direitos animais, consumo e indústria de moda, mas gerou um debate polarizado nas redes e entre o público.
- Mesmo com Angus salvo, a iniciativa foi recebida como falha por não ter gerado conversas significativas sobre direito animal ou sobre as indústrias citadas.
- A experiência destaca erros de um debate público online, marcado por anonimato e provocações, em vez de diálogo construtivo.
The coletivo artístico MSCHF lançou o projeto Our Cow Angus, que começou há dois anos ao comprar uma vaca e vendê-la como tokens. Os compradores podiam salvar Angus da morte mediante a devolução de tokens pelo portail de remorso. Se metade das ações fosse devolvida, Angus viveria em um santuário.
A ideia era criar um microcosmo de escolha do consumidor, com possibilidade de revenda on-line e compra por terceiros no mercado secundário. A meta de Angus era evitar o abate até que 50% dos tokens retornassem no dia de hoje, 13 de março.
Ao longo dos últimos dias, as devoluções aumentaram, atingindo o patamar necessário e Angus foi poupado do abate. Ainda assim, a iniciativa gerou frentes de debate polarizadas em redes sociais, com discussões sobre os limites entre arte, indústria alimentícia e moda.
A experiência não promoveu debates consistentes sobre direitos animais nem sobre os setores citados. Em plataformas como Instagram, Discord e Reddit, apareceram comentários tanto relevantes quanto ofensivos, o que ampliou a distância entre a conversa pública e o objetivo original.
Desempenho e reflexões
MSCHF manteve compradores informados com fotos de Angus, atualizações sobre o resgate e lembretes para usar o Remorse Portal. O grupo explicou que, fora de conteúdo específico, a comunicação buscou documentar Angus, com elementos de antropomorfismo.
Atualizações frequentes foram divulgadas no site do projeto, incluindo orientações para adquirir tokens no mercado secundário e devolvê-los. Em paralelo, a marca divulgou, no mesmo período, lançamentos de bolsas de couro não ligados a Angus.
A equipe afirmou que o projeto criou um ecossistema em torno de Angus, além de compradores e vendedores, burgers e bolsas. Segundo representantes, o alcance se expandiu globalmente, superando expectativas iniciais.
O projeto, feito inteiramente online, não alcançou o objetivo de evidenciar problemas das indústrias de agricultura e moda de forma direta. Ao contrário, expôs riscos de um debate público dominado pela anonimidade e por provocações.
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