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Ter um hobby e aceitar a mediocridade, diz reportagem

Cultivar hobbies e aceitar a mediocridade ajudam a equilibrar a vida, ampliar horizontes e frear a busca por produtividade desmedida

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  • O texto defende que todo mundo pode ter um hobby e valoriza ficar longe da lógica de produtividade constante.
  • Paulo Vanzolini, importante zoólogo brasileiro, ajudou a fundar a Fapesp e comandou o Museu de Zoologia da USP; escreveu mais de setenta canções e era sambista.
  • Genios como Albert Einstein, Marie Curie e Richard Feynman também tinham hobbies, usados como fonte de alegria ou prática criativa.
  • O artigo ressalta que não é obrigatório ter uma carreira paralela, mas que hobbies trazem prazer e podem enriquecer a vida.
  • O autor, Rafael Battaglia Popp, compartilha exemplos pessoais de buscar pequenas atividades de lazer, como cozinhar e estudar espanhol, sem pressão.

Paulo Vanzolini, 1924-2013, é apresentado como um dos grandes personagens da ciência brasileira. Formado em medicina pela USP, ele não desejava atuar como médico, preferindo estudar anatomia e fisiologia para aplicar o conhecimento aos animais.

Durante a graduação, ele faltava às aulas com frequência, passava horas no laboratório de zoologia e, perto das provas, dormia no Hospital das Clínicas para fazer um intensivão com a turma. Com isso, acabou aprovando o curso e seguiu carreira acadêmica.

Ao retornar ao Brasil, fundamentou a Fapesp e liderou o Museu de Zoologia da USP por três décadas, mantendo o acervo entre os mais completos do mundo. Aposentou-se em 1993, porém seguiu trabalhando de segunda a sábado no museu.

O que muitos não sabem é que Vanzolini também teve uma segunda carreira: a música. Mesmo sem dominar um instrumento, dedicou-se à prática e escreveu mais de 70 canções, gravadas por artistas como João Gilberto e Elis Regina. Mantinha relações próximas com Adoniran Barbosa e frequentava a casa de amigos músicos.

Outros grandes nomes da ciência também tinham hobbies musicais. Albert Einstein tocava violino entre estudos; Marie Curie preferia andar de bicicleta com Pierre; Richard Feynman tocava bongô, atividade que lhe rendia referências no carnaval do Rio de Janeiro.

O texto destaca que ter um passatempo não costuma prejudicar a carreira. Mudanças de tema aparecem quando se observa que muitos cérebros criativos buscavam lazer fora do laboratório para obter prazer e equilíbrio.

A reportagem aponta que, atualmente, redes sociais e a cultura da produtividade pressionam o tempo livre, levando ao consumo de cursos e atividades voltadas ao desempenho. A ideia central é incentivar a prática de hobbies como fonte de satisfação, sem metas profissionais obrigatórias.

A autora do texto, Maria Clara Rossini, aponta que o relógio social incentiva uma vida de alta performance em todas as áreas. Adversários da ideia de mediocridade argumentam que o tempo livre pode ser bem utilizado, desde que com equilíbrio. O tema é apresentado como uma reflexão sobre lazer produtivo.

Para ilustrar, o artigo cita exemplos de personalidades contemporâneas que mantêm hábitos fora da área de atuação principal, como Meryl Streep, que pratica tricô, e Emicida, que cultiva uma horta. A leitura sugere que cultivar hobbies pode trazer prazer e descobertas, sem exigir resultados extraordinários.

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