- Cooking Sections é o duo Daniel Fernández Pascual e Alon Schwabe, que usa produção e consumo de comida para promover mudanças ecológicas de longo prazo.
- Um de seus trabalhos marcantes, Salmon: A Red Herring, mostrou os impactos da criação de salmão em gaiolas; resultou na remoção de salmão de cafés e restaurantes de todas as Tate.
- O projeto desenvolve o conceito climavore, com iniciativas como Water Buffalo Commons e Monoculture Meltdown, buscando práticas alimentares que respeitem o ambiente e envolvam comunidades locais.
- Monoculture Meltdown engaja museus e agricultores para conservar sementes tradicionais e criar leis para ampliar o papel de museus na preservação de patrimônios agroecológicos.
- Waves Lost at Sea, em Santander, reúne onze ondas perdidas ao redor do mundo e letras musicais de Duval Timothy, conectando mudanças oceânicas à alimentação e à sustentabilidade.
Cooking Sections, duo de artistas formado por Daniel Fernández Pascual e Alon Schwabe, atua na interseção entre arte, ecologia e alimentação. O grupo desenvolve projetos de longo prazo que propõem mudanças concretas na produção e no consumo de comida diante das mudanças climáticas.
Desde 2013, eles trabalham com produção e consumo alimentar como eixo para entender modos de vida mais alinhados ao meio ambiente. A dupla afirma que a alimentação está conectada ao ecossistema e a processos de metabolismo, ingestão e nutrição.
Grim realities
Em 2020, apresentaram Salmon: A Red Herring na Tate Britain, instalação que mescla diorama científico com som e luz para mostrar condições de criação de salmões em fazendas. A obra descreve superlotação, danos ao ambiente marinho e uso de pigmentos artificiais na carne de salmão.
A instalação gerou repercussão pública e levou a Tate a retirar salmão de seus cafés, após pressão de museus e do público. Atração de mídia resultou em reconhecimento ao coletivo e em indicações a prêmios, como a Turner Prize em 2021.
Sustentabilidade em foco
Ao longo dos anos, Cooking Sections ampliou atuação para comunidades costeiras da Escócia, Itália e outras regiões. Projetos incluem cultivo regenerativo de mexilhões, ostras e kelp, além de programas educativos em escolas e restaurantes.
Parcerias com indústrias locais criam materiais alternativos, como um composto feito de cascas de mexilhão para substituir o cimento. As iniciativas buscam soluções concretas para reduzir impactos ambientais na construção e na alimentação.
O conceito Climavore
A dupla desenvolveu o conceito climavore, hoje também uma plataforma de pesquisa que embasa colaborações de longo prazo. Exemplos: Water Buffalo Commons, em Istambul, para preservar raças de búfalos e o patrimônio alimentar regional, e Monoculture Meltdown, em Itália, que atua na preservação de sementes resistentes à seca.
Esses projetos unem agricultores, cozinheiros, educadores, biólogos marinhos e policymakers, com foco em ações que durem décadas e não apenas exposições temporárias. O objetivo é adaptar práticas locais ao contexto da mudança climática.
Waves Lost at Sea
Recentemente, Cooking Sections apresenta Waves Lost at Sea, no Centro Botín, em Santander, Espanha. A obra reúne 11 ondas marinhas perdidas ao redor do mundo, entre Mundaka, Hawai‘i e Marrocos, todas resultantes de intervenções humanas na Lage do fundo do mar.
Timothy transformou as informações em 11 composições musicais, acompanhadas por 11 molas suspensas que vibram conforme a performance. A mostra fica em cartaz até 1º de março e dialoga com a relação entre água, pesca, dredging e acesso a mercadorias globais.
Contexto e impacto
Os trabalhos de Cooking Sections mostram que alimentação, oceanos e ecossistemas estão interligados. A prática do duo visa abrir brechas para colaboração entre comunidades, museus e setores produtivos, com foco em mudanças duradouras.
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