- O mercado de vinhos em Bordeaux enfrenta uma crise severa, com viticultores relatando dificuldades financeiras.
- A queda no consumo e problemas nas exportações resultaram em preços de venda abaixo dos custos de produção e estoques excessivos.
- O Conselho Interprofissional do Vinho de Bordeaux (CIVB) indica que há cerca de 18 meses de estoque no final de 2024.
- A nova legislação EGAlim, que visa garantir preços justos aos agricultores, está parada no Parlamento.
- Viticultores sugerem mudanças na produção para se adaptar aos novos hábitos de consumo e evitar a ruína do setor.
O mercado de vinhos em Bordeaux enfrenta uma crise severa, com viticultores como Denis Roux e Bastien Mercier relatando dificuldades financeiras. A queda no consumo e problemas nas exportações resultaram em preços de venda abaixo dos custos de produção e estoques excessivos. Roux, que cultiva dez hectares em Fronsac, afirma que não vê futuro para a viticultura, tendo que vender seus vinhos a preços irrisórios, como 1 euro por garrafa.
A situação é alarmante, com o índice de armazenamento do Conselho Interprofissional do Vinho de Bordeaux (CIVB) indicando cerca de 18 meses de estoque no final de 2024. Mercier, porta-voz do coletivo Viti33, destaca que seu armazém está cheio com 4.500 hectolitros de vinho não vendido desde janeiro. A empresa Dartess, especializada em logística vitivinícola, prevê um aumento de 10 a 15% na capacidade de armazenamento até 2026, devido à baixa movimentação no mercado.
Os viticultores estão desanimados, enfrentando preços que representam apenas 50% dos custos de produção. Jean-Samuel Eynard, presidente da câmara agrícola, alerta para a possibilidade de um colapso no setor, com muitos vinhos armazenados começando a se deteriorar. Apesar das dificuldades, há esperança em um millesime 2025 de qualidade, que pode reverter a situação e atrair o interesse de negociantes e importadores.
A nova legislação EGAlim, que visa garantir preços justos aos agricultores, está estagnada no Parlamento. Além disso, propostas para uma organização de produtores em Bordeaux ainda não se concretizaram. Michel-Eric Jacquin, presidente das appellations Bordeaux e Bordeaux supérieur, sugere uma mudança na produção para se adaptar aos novos hábitos de consumo, enfatizando a necessidade de inovação para evitar a ruína do setor.
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