- David Archuleta, 35 anos, relembra sua participação no American Idol na sétima temporada, onde ficou em segundo lugar em 2008.
- O cantor revela que era extremamente tímido e que sofreu bullying por ser visto como “afeminado”, o que o levou a esconder sentimentos por meninos desde a infância.
- Em seu novo livro Devout: Losing My Faith to Find Myself, ele descreve a pressão de parecer o “garoto alegre” na TV e a disputa entre fé, identidade e autoconhecimento.
- Após assumir publicamente ser gay em junho de 2021, Archuleta falou sobre ideação suicida no passado e sobre ter recebido uma mensagem divina que o incentivou a se aceitar.
- O processo de deixar a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Santos dos Últimos Dias também é narrado, incluindo o apoio da mãe e a sensação de ter sido marginalizado pela comunidade religiosa.
David Archuleta, 35, revela em entrevista à Rolling Stone detalhes sobre o novo memoir Devout: Losing My Faith to Find Myself, que chega com material inédito sobre sua vida, fé e orientações sexuais. O livro sai em 17 de fevereiro e aborda momentos-chave de sua carreira e de sua infância em Utah.
O cantor foi vice-campeão do American Idol em 2008, na sétima temporada, aos 17 anos. Ele diz ter vivido grande tensão interna durante o programa, entre a cobrança pública e o medo de ser rejeitado por being queer. Na época, escondia sentimentos por homens para evitar preconceitos.
Archuleta também relembra o assédio de bullying na escola e o retrato que a produção do programa apresentava dele como o garoto doce da porta ao lado. Segundo ele, essa construção contrapunha a ansiedade de expor sua verdade pessoal.
Desafios internos e a fé
O músico cresceu como membro fiel da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Santos dos Últimos Dias, praticante home-school e socialmente reservado. Ele descreve um conflito entre a identidade e a imagem pública esperada pelos fãs e pela religião.
Segundo o relato, antes de assumir a sexualidade, Archuleta chegou a considerar o suicídio. Ele descreve um período em que via a vida como um dilema entre permanecer vivo ou “ser gay” e questiona caminhos de salvação relativos à fé que o guiou.
O retorno de uma experiência espiritual é citado como marco de aceitação pessoal. Em oração, ele afirma ter recebido uma mensagem de que nada precisava ser mudado, o que o ajudou a aceitar sua identidade pela primeira vez de forma profunda.
Mudança de rumo e saída da igreja
O texto envolve ainda a decisão de se afastar da Igreja de Latter-day Saints, acompanhada pela mãe, que apoiou a escolha e citou uma linha de fé quando percebeu a atmosfera de preconceito. O episódio acompanhou a carreira do artista e influenciou a composição de canções.
Archuleta descreve a relação com líderes religiosos como próxima, mas marcada por desentendimentos. A narrativa aponta que a resistência à sua revelação contribuiu para a decisão de deixar a igreja, mesmo com laços pessoais mantidos por anos.
O memoir também aborda a sensação de ser excluído pela comunidade religiosa após a revelação pública, evidenciando o impacto emocional de não ser visto como parte de um grupo acolhedor. O artista enfatiza o desejo de continuar contribuindo com a comunidade.
Do Idol ao amadurecimento
O livro traz ainda lembranças da final do Idol, quando o apresentador anunciou o vencedor, David Cook, em meio a uma sensação de exaustão do artista. Archuleta descreve o cansaço de acompanhar a cobertura constante da mídia e a percepção de que não merecia tanto reconhecimento, apesar dos feitos.
Devout expõe a trajetória de um jovem que viveu sob pressão de manter uma imagem pública, enfrentou dúvidas sobre fé e identidade e buscou autonomia para reconstruir a vida. O texto não apresenta opinião editorial, apenas fatos sobre o relato do artista.
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