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Papagaio-chauá é reintroduzido na Mata Atlântica após programa de conservação

Reintrodução de papagaios-chauá em Alagoas mobiliza comunidade local na proteção da biodiversidade e restauração da Mata Atlântica.

Papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha): após reintrodução em reserva florestal em Alagoas, à espera da companhia de outros bichos (Foto: Luís Fábio Silveira/Museu de Zoologia-USP)
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Em janeiro de 2023, 20 papagaios-chauá foram soltos em uma reserva em Coruripe, Alagoas, como parte do projeto ARCA, que busca restaurar a fauna da Mata Atlântica. O projeto, apoiado pela FAPESP, também inclui a reintrodução do mutum-de-alagoas, que está extinto na natureza há 40 anos. Durante um fórum em Paris, Luís Fábio Silveira, coordenador do ARCA, destacou a importância da área para a biodiversidade e a necessidade de manter a floresta saudável. A equipe trabalhou para transformar áreas de usinas de açúcar em reservas, criando mais de 5 mil hectares de Mata Atlântica protegida. A reintrodução dos papagaios-chauá está mudando a visão da comunidade local, que agora se considera guardiã das aves, preferindo vê-las na natureza. Silveira recebeu vídeos mostrando o retorno dos sons das aves à floresta, e algumas aves que não puderam ser soltas continuam em cativeiro.

Em janeiro de 2023, 20 papagaios-chauá (Amazona rhodocorytha) foram reintroduzidos em uma reserva florestal em Coruripe, Alagoas. O projeto, parte da iniciativa ARCA e apoiado pela FAPESP, busca restaurar a fauna da Mata Atlântica, incluindo o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu) e outras espécies. A reintrodução visa restaurar a biodiversidade e a funcionalidade do ecossistema local.

O Fórum Brasil-França sobre Florestas, Biodiversidade e Sociedades Humanas, realizado em Paris, destacou os avanços do projeto. Luís Fábio Silveira, vice-diretor do Museu de Zoologia da USP e coordenador do ARCA, enfatizou a importância da área, que abriga a maior quantidade de pau-brasil fora da Bahia. Ele alertou sobre a necessidade de reconexão florestal e a urgência em manter a floresta saudável, já que a ausência de animais dispersores de sementes compromete sua sobrevivência.

A estratégia para transformar áreas de usinas de açúcar em reservas particulares envolveu negociações com o Ministério Público e ONGs. Os pesquisadores conseguiram que os cartórios isentassem as taxas de registro, facilitando a criação de mais de 5 mil hectares de Mata Atlântica protegida. Silveira destacou que 80% das espécies endêmicas e ameaçadas da região foram beneficiadas.

O mutum-de-alagoas, extinto na natureza há 40 anos, foi uma das espécies reintroduzidas. A ave, que se alimenta de frutas e vive em florestas, foi resgatada em 1990 e utilizada para iniciar o projeto. A reintrodução gerou comoção pública, resultando na criação de blocos carnavalescos e na decretação do mutum como ave símbolo do Estado.

A reintrodução dos papagaios-chauá também está mudando a percepção da comunidade local. Moradores se tornaram guardiões das aves, preferindo vê-las na natureza em vez de em cativeiro. Silveira recebeu vídeos de monitoramento das aves, evidenciando o retorno dos sons da fauna à floresta. As aves foram aclimatadas em um viveiro antes de serem soltas, com alguns não aptos para a reintrodução permanecendo em cativeiro.

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