- Ministros australianos se reuniram com executivos de gás japonês mais de 20 vezes na última legislatura, segundo a InfluenceMap.
- Empresas japonesas como Inpex, Jera, Mitsubishi e Mitsui teriam mais de A$ 70 bilhões em participação em treze empreendimentos de LNG na Austrália, correspondentes a cerca de 17% da capacidade global.
- Os projetos somam emissão potencial de aproximadamente 290 milhões de toneladas de CO₂ por ano, equivalente a dois terços da poluição climática anual da Austrália.
- A InfluenceMap diz que houve lobby público e privado para manter ambiente regulatório favorável ao gás na Austrália, incluindo contatos do ministro Madeleine King com representantes japoneses pelo menos 17 vezes.
- A pesquisa aponta que esse lobbying pode ter influenciado políticas climáticas e energéticas, como a estratégia de gás futuro de 2024, com críticas sobre lucros com venda de gás a terceiros.
Dois a 20 encontros: ministros australianos se reuniram com executivos de empresas japonesas de gás mais de 20 vezes no último mandato, em meio a uma pressão de lobby para manter a indústria de combustíveis fósseis. O relatório de InfluenceMap aponta que empresas como Inpex, Jera, Mitsubishi e Mitsui tiveram participação relevante na promoção de políticas locais favoráveis ao gás.
O estudo avalia que as companhias japonesas contribuíram para sustentar a exportação de LNG da Austrália, com mais de 70 bilhões de dólares em patrimônio líquido distribuídos em 13 projetos australianos. Esses projetos representam cerca de 17% da capacidade global de LNG.
A análise aponta potencial de emissão de até 290 milhões de toneladas de CO2 por ano, volume equivalente a quase dois terços da poluição climática anual da Austrália. A InfluenceMap sustenta que houve atuação pública e privada para manter ambiente regulatório favorável ao gás no país.
Contatos políticos e transparência
Documentos de livre acesso indicam que a ministra de Recursos, Madeleine King, realizou pelo menos 17 reuniões com representantes japoneses de LNG. Outros quatro membros do governo, incluindo o primeiro-ministro Anthony Albanese, tiveram encontros isolados.
O relatório acrescenta que houve encontros com autoridades seniores e aponta que regras de lobbying na Austrália são pouco transparentes, sugerindo que podem existir outras reuniões não capturadas pelos pedidos oficiais.
Perspectivas e respostas oficiais
InfluenceMap afirma que a agenda de energia e clima pode ter sido moldada por esse lobby, em especial com a estratégia de gás anunciada em 2024, que reconhece a necessidade de novas fontes de gás até 2050, ainda que haja compromisso com emissões líquidas zero.
O governo australiano informou que King mantém relações frequentes com o setor de mineração e energia, destacando o papel da Austrália como fornecedora estável de LNG para apoiar a segurança energética durante a transição para net zero.
Contexto regional e críticas
O Japão depende de importações de energia e busca manter suprimentos estáveis de gás para substituir o carvão e apoiar renováveis. Críticos defendem maior transparência regulatória e uma transição mais rápida para fontes limpas, sem comprometer a segurança energética.
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