Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Turismo comunitário no Tapajós protege territórios e tradições locais

Turismo de base comunitária no Tapajós protege territórios e tradições, fortalece a economia local e envolve as comunidades na gestão ambiental

O casal de indígenas Dórisson Borari e Maria Munduruku, donos da Pousada do Mingote — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
0:00
Carregando...
0:00
  • Turismos de base comunitária em Alter do Chão, Santarém, Pará, fortalece a economia regional e preserva tradições dos povos Borari e Munduruku.
  • A Pousada Mingote, criada em 1997, atua como hospedagem e espaço para divulgar a cultura local, com elementos como Arco do Sairé.
  • A comunidade protege o território, embargou área destinada à educação ambiental e planeja transformá-la em espaço educativo para povos indígenas.
  • Em janeiro, quase 2 mil indígenas ocuparam o terminal portuário da Cargill para contestar decreto de desestatização de rios amazônicos; o decreto foi revogado.
  • Dados de turismo indicam 312 mil visitantes em 2025 em Santarém, com movimentação de R$ 202 milhões; pequenos negócios locais são apontados como fundamentais para a economia da região.

Turismo comunitário no Tapajós: proteção de territórios e valorização de saberes locales. Em Alter do Chão, vila de Santarém, Pará, famílias indígenas e ribeirinhas atuam para conservar território e cultivar economia com base na comunidade.

Na Pousada Mingote, moradores indígenas operam desde 1997 a hospedagem em meio a paisagens como o Rio Tapajós, o Lago Verde e a Ilha do Amor. A iniciativa destaca a valorização das tradições, culinária e história locais.

Dórisson Borari e Maria Munduruku administram o espaço, que mantém raízes culturais. A pousada usa elementos tradicionais para contar a história da região, sem exageros ou adições que destoem da herança local.

Arco do Sairé em cipó, com fitas coloridas e quatro cruzes, é um destaque que simboliza o sincretismo entre indígenas e católicos. O objeto integra a decoração e reforça a identidade local.

Maria Munduruku, diretora da Escola Indígena Borari, afirma que a proposta é manter a autenticidade e compartilhar, com eficiência, o patrimônio cultural sem acúmulo de itens desnecessários.

Proteção do território

Os moradores sinalizam que a hospitalidade é aliada à defesa do território. Planos predatórios, como transformar áreas de educação ambiental em condomínios, foram impedidos após embargo judicial.

A região ensina que parte da área será destinada a educação ambiental, com espaço para escola, ensino médio e universidade indígenas, mantendo o uso sustentável dos recursos.

Em janeiro, Dórisson juntou-se a quase 2 mil povos do Baixo Tapajós em protesto no terminal portuário da Cargill, em Santarém. O objetivo era revogar o Decreto nº 12.600/2025, que ampliava a participação de rios amazônicos em programa de desestatização.

A mobilização visava evitar impactos como dragagem intensiva, expansão da hidrovia para escoamento de grãos e pressão do agronegócio sobre povos ribeirinhos. Após as ações, o decreto foi revogado pelo governo.

Dórisson aponta que a natureza, especialmente o aquífero subterrâneo, é uma riqueza maior que o lucro imediato. Ele reforça que os povos locais atuam como guardiões do Tapajós e da floresta.

Turismo em Alter

A Pousada Mingote se encaixa no modelo de Turismo de Base Comunitária (TBC), gerido pela comunidade, com participação de anfitriões e guias locais, impactos reduzidos e reinvestimento na região.

Alter do Chão, com cerca de 3,6 mil habitantes, fica próximo a áreas naturais protegidas como a Área de Proteção Ambiental Alter do Chão, a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns e a Floresta Nacional do Tapajós.

Dados de 2025 indicam aumento no fluxo de visitantes para Santarém, estimando 312 mil turistas e geração de cerca de 202 milhões de reais na economia local. Alter do Chão figura como principal destino da região.

O Sebrae destaca que negócios de base comunitária ajudam a manter vínculos com o território e fortalecem a economia local, com recursos reaplicados na própria comunidade.

Vivência na floresta

A Casa do Eltom, em Piquiatuba, dentro da Floresta Nacional do Tapajós, é exemplo de geração de renda comunitária desde 2018. O empreendimento começou de forma simples, na casa da família, crescendo para gastronomia e turismo.

A família passou a oferecer passeios de lancha, trilhas e oficinas, associando saberes tradicionais a atividades turísticas. A transformação mostrou que é possível melhorar a qualidade de vida sem deixar a comunidade.

O condutor Davi Sóstenes observa mudança no perfil do visitante: passou a ocorrer maior participação de brasileiros após a pandemia, com busca por experiências nacionais mais profundas.

Joacy Rodrigues guia trilhas há 20 anos, apresentando saberes da floresta, uso de plantas medicinais e recursos naturais. O passeio integra ensino sobre usos culturais e ambientais da região.

A cooperação entre moradores fortalece a economia local. Eltom ressalta que a atuação conjunta amplia oportunidades para a comunidade, sem depender de grandes operações externas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais