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Recuperações extrajudiciais avançam no Brasil com juros altos

Juros em alta impulsionam recuperações extrajudiciais no Brasil, com Raízen entre maiores dívidas e 33 empresas aderindo em 2026

Imagem: Amanda Perobelli/Reuters
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  • O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, com dívidas de R$ 65,1 bilhões, ganhou destaque em 2026.
  • Pedidos de recuperação extrajudicial no Brasil passaram de 16 em 2021 para 84 em 2023/2024, e já são 33 em 2026, envolvendo diversos setores.
  • O avanço ocorre diante da taxa básica de juros de 14,25% ao ano e do legado de empréstimos contraídos durante a pandemia.
  • A reforma de 2020 flexibilizou o mecanismo, permitindo excluir credores e incentivar negociações precoces antes de ações judiciais.
  • O endividamento total associado a recuperações extrajudiciais neste ano supera R$ 109 bilhões, com casos como Casas Bahia, Tok&Stok e GPA.

O pedido de recuperação extrajududicial da Raízen, com dívidas de R$ 65,1 bilhões, movimentou o mercado em 2026. O movimento já não é isolado e se espalha por diversos setores da economia brasileira.

Dados do Obre apontam que os pedidos de recuperação extrajudicial passaram de 16 em 2021 para 84 em 2025, com 33 empresas nesse caminho em 2026 até o momento. Indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística estão entre os setores envolvidos.

A taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano, é vista como um dos principais gatilhos para esse movimento. Em meio a um ciclo de juros altos, empresas que contrataram empréstimos durante a pandemia enfrentam custos maiores.

Contexto e fortalecimento do instrumento

Uma reforma de 2020 ampliou a flexibilidade das reestruturações extrajudiciais, fortalecendo o mecanismo e acelerando negociações de dívida. A mudança cultural citada por especialistas vem abrindo espaço para acordos antes de recorrer aos tribunais.

Segundo o investigador Luíz Fabiano Saragiotto, a figura extrajudicial facilita acordos com credores selecionados. O processo busca evitar custos e impactos de uma recuperação judicial completa.

Vantagens e impactos

A reestruturação extrajudicial tende a ser menos onerosa e mais direta, com vínculo para a maioria simples dos credores. A forma evita que a recusa de alguns credores bloqueie a negociação.

A simplicidade do caminho extrajudicial tem levado empresas a recorrer a esse instrumento em crises financeiras menos agudas, segundo Juliana Biolchi, diretora do Obre. O objetivo é manter o negócio operante durante a renegociação.

Casos recentes e volatilidade de mercado

Em 2024, Casas Bahia recebeu aprovação para uma recuperação extrajudicial de cerca de R$ 4,1 bilhões, sem impactar fornecedores, clientes ou funcionários. Tok&Stok também firmou um acordo semelhante no mesmo ano.

Mais recentemente, o GPA pediu aprovação em março para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões. O endividamento agregado das empresas que buscaram extrajudicial superou R$ 109 bilhões em 2026, ante R$ 41,5 bilhões em 2024.

Perspectivas

Especialistas estimam aumento contínuo de reestruturações extrajudiciais nos próximos meses. A Oncoclínicas, líder em tratamento oncológico na América Latina, surge entre as empresas consideradas, conforme reportagens locais; a empresa não comentou oficialmente.

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