- Datafolha aponta queda do pessimismo econômico, de 35% para 26% das pessoas, entre março e a última pesquisa.
- Há divisão: otimistas são aqueles com menor escolaridade e renda de até dois salários mínimos; pessimistas, maior escolaridade e ganhos acima de cinco salários mínimos.
- A diferença entre percepção atual e futura aponta que, mesmo com menos pessimismo, a avaliação do presente continua negativa para muitos.
- 45% dos eleitores de Flávio Bolsonaro sinalizam piora da economia, índice mais alto entre os grupos; quase metade do eleitorado ainda sente que a economia está pior do que meses antes.
- O Datafolha mede humor, não projeções macro, e os resultados podem influenciar votações dependendo de como governos ou oposições explorarem a expectativa de melhora econômica.
O Datafolha divulgou que o pessimismo econômico caiu entre os brasileiros, mas a leitura aponta uma divisão acentuada por renda, escolaridade e alinhamento político. A queda foi de 35% para 26% na percepção de piora nos próximos meses, na edição de março para a atual.
O estudo mostra que o otimismo é maior entre pessoas com rendimento de até dois salários mínimos e menor escolaridade, enquanto o pessimismo predomina entre quem tem maior escolaridade e renda acima de cinco salários mínimos. A diferença de percepção é significativa entre grupos.
Entre as motivações que moldam o humor, o psiquiatra americano Aaron Beck é citado para explicar a abstração seletiva do pessimismo. Quem tem mais acesso a notícias econômicas tende a reagir de forma mais sensível aos riscos.
A percepção também varia conforme o cotidiano: trabalhadores informais de Fortaleza e executivos de São Paulo usam referências diferentes para avaliar a economia, levando a respostas distintas sobre se ela vai melhorar.
Contexto da pesquisa
Entre eleitores do candidato Flávio Bolsonaro, 45% acreditam que a economia vai piorar, índice próximo à média entre o público pesquisado. O dado sugere influência de questões políticas na leitura econômica.
Ainda segundo o Datafolha, 45% avaliam que a situação econômica piorou nos últimos meses, quase o mesmo patamar de março. Assim, a percepção negativa persiste mesmo com otimismo de curto prazo.
Desfechos políticos e leitura de cenário
Para governistas, a estratégia é reforçar a esperança de melhoria econômica. A oposição pode buscar traduzir descrença em motivação de voto, caso a promessa de mudança se vincule a ações concretas.
O estudo ressalta que o humor econômico é volátil e pode oscilar com inflação, emprego e choques externos. A leitura atual não garante, por si, apoio automático ao governo ou à oposição nas eleições.
Entre na conversa da comunidade