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Inflação cai para 0,58% em maio; alimentação em casa atinge recorde em 18 anos

IPCA sobe 0,58% em maio; alimentação em casa registra maior alta para o mês desde 2008, mantendo pressão sobre metas e política do Banco Central

Inflação — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
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  • O IPCA subiu 0,58% em maio; em 12 meses, a inflação ficou em 4,72%, e no ano já soma 3,20%.
  • Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta de maio, com avanço de 1,33%, sendo a alimentação em casa a maior pressão, em 1,65% no mês.
  • A batata-inglesa disparou 44,69% em maio, puxando os alimentos, enquanto itens como café moído caíram; o grupo habitação avançou 1,22%, com energia residencial em alta de 3,67%.
  • O grupo transportes caiu 0,46% devido à queda dos combustíveis, mas passagens aéreas subiram 3,20% em maio.
  • A inflação acima das expectativas pode reduzir o espaço de manobra do Banco Central, que pode manter ou ajustar a Selic em próximos meses.

O IPCA, medida oficial de inflação no Brasil, registrou alta de 0,58% em maio, informou o IBGE. O resultado desacelerou frente a abril (0,67%), mas levou o índice de 12 meses a avançar para 4,72%. No acumulado do ano, o índice ficou em 3,20%.

A elevação mensal foi puxada pela alimentação em domicílio, que subiu 1,65% no mês, a maior variação para maio desde 2008. Outros grupos com peso relevante foram Habitação, com 1,22%, e Saúde e cuidados pessoais, com 0,90%.

A inflação de maio ficou acima da meta de referência do CMN, que para 2026 visa 3% com tolerância até 4,5%. A combinação de altas em alimentos, energia e serviços mantém o desafio para reduzir a inflação no curto prazo.

Principais componentes do IPCA

  • Alimentação e bebida: 1,33%
  • Habitação: 1,22%
  • Artigos de residência: 0,08%
  • Vestuário: 0,62%
  • Transportes: -0,46%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,90%
  • Despesas pessoais: 0,41%
  • Educação: 0,00%
  • Comunicação: 0,23%

Alimentação em casa e itens de peso

Alimentos consumidos em casa subiram 1,65% em maio. Entre os itens com maior alta, destacam-se batata-inglesa (44,69%), tomate (20,62%), cebola (16,80%) e carnes (1,39%). O fator principal foi o aumento de preços diante de menor oferta e frete com elevação de combustíveis.

Alguns itens ficaram mais baratos, como café moído (-2,38%) e frutas (-0,70%). Comer fora de casa também contribuiu para a inflação, com alta de 0,49% no mês, moderando o ritmo de alta de lanches e refeições.

Habitação e serviços ligados

O grupo Habitação avançou 1,22%, com destaque para a energia elétrica residencial, que registrou alta de 3,67%. Reajustes tarifários em capitais como Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte influenciaram o índice. A bandeira amarela de energia também elevou as despesas ao acrescentar cobrança extra.

Transporte e custos associados

Transportes foi o único grupo a registrar queda em maio, com -0,46%. A queda foi puxada pela redução dos combustíveis: gasolina (-1,46%), diesel (-2,34%), etanol (-6,20%). Mesmo assim, algumas tarifas, como passagens aéreas, subiram 3,20% e tarifas de ônibus tiveram ajustes.

Implicações para a política monetária

Economistas veem o IPCA de maio acima das expectativas, sugerindo inflação persistente e possibilidade de manutenção de juros elevados. O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual na última reunião, mas o cenário atual pode limitar novos movimentos. Análises apontam que, se a inflação permanecer acima da meta, o BC pode continuar ajustando a política para conter pressões.

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