- Quase metade das áreas florestais protegidas do Brasil está em propriedades rurais privadas (45,2%), segundo estudo do Instituto Arapyaú.
- Do total de 507 milhões de hectares de florestas, 475 milhões são áreas protegidas: 260 milhões em áreas públicas e 215 milhões em terras privadas, via Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente.
- O Código Florestal, vigente desde 2012, é apontado como motor dessa tendência ao definir percentuais de preservação conforme o bioma.
- Produtores que preservam mata preservada costumam ter maior resiliência e produtividade, com benefícios como melhor polinização e menor impacto das mudanças climáticas.
- Em Rondônia, por exemplo, uma fazenda de 220 hectares de café amazônico preserva grande parte da área nativa, integrando floresta à produção.
Quase metade das áreas florestais protegidas do Brasil está em propriedades rurais privadas. O dado vem de estudo liderado pelo Instituto Arapyaú, referência em desenvolvimento sustentável, que aponta 45,2% das florestas legalmente protegidas sob a posse de produtores rurais.
O levantamento detalha que, do total de 475 milhões de hectares de florestas, 260 milhões ficam em áreas públicas e 215 milhões em terras privadas. As reservas legais e áreas de preservação permanente aparecem como principais instrumentos de proteção.
Além das áreas de reserva, o estudo considera também terrenos de silvicultura e terras degradadas em processo de reflorestamento. Em alguns casos, árvores nativas coexistem com plantações comerciais, como na produção de celulose, segundo o relatório.
O papel do Código Florestal
O código, vigente desde 2012, define as proporções de áreas protegidas em propriedades rurais conforme o bioma. Para Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú, a lei já demonstrou resultados, ainda que haja nível de desrespeito, especialmente na Amazônia.
Para Beto Veríssimo, cofundador do Imazon, a regra é parcialmente bem-sucedida: protege etapas importantes, mas a fiscalização precisa aumentar. O estudo reforça que o incentivo financeiro à conservação tem impacto direto na prática produtiva.
Economia, produção e conservação
A preservação privada é apresentada como estratégica para o desempenho econômico do setor agrícola, com benefícios na manutenção de serviços ecossistêmicos e na polinização das lavouras. O contraste entre áreas preservadas e desmatadas é apontado como relevante para a produtividade.
Em Rondônia, a propriedade de Juan Travain de Souza, com 220 hectares de café, ilustra o modelo: apenas parte do terreno é dedicado à lavoura, enquanto o restante permanece com mata conservada. O café produzido na área é reconhecido no mercado local.
Perspectivas e demandas
Pesquisadores defendem compensação financeira a produtores que preservam ou restauram florestas, por meio de pagamentos por serviços ambientais ou acesso a crédito com juros mais baixos. A regularização fundiária, principalmente na Amazônia, também é apontada como condição essencial para ampliar a preservação privada.
A pesquisa é realizada em parceria com instituições como Instituto Itaúsa, Ibá, Ibá, iCS, Imazon, Amazônia 2030, CEBDS e outras organizações. O objetivo é monitorar o papel do setor privado na conservação e na bioeconomia.
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