O governo lançou o Novo Desenrola Brasil, um pacote para renegociar dívidas e aliviar o peso financeiro das famílias, em meio ao endividamento em alta. Em fevereiro, o peso da dívida atingiu 49,9% da renda, nível recorde da série do BC iniciada em 2005.
Segundo o BC, 73 milhões de brasileiros estavam com o nome no vermelho no fim de 2024, com 27,4% das dívidas em bancos e cartões. Em março, a Serasa indicou 82,8 milhões de inadimplentes, reforçando o cenário de preocupação com o crédito.
A parcela com atraso grave permanece elevada: 16% dos credores apresentavam inadimplência acima de 90 dias em dezembro. Entre 2020 e 2024, esse grupo cresceu 47%, mesmo com o aumento do acesso ao crédito.
O que muda com o Novo Desenrola Brasil
O programa, anunciado para ser implementado nesta segunda-feira, atende pessoas com renda de até R$ 8.105. Ele prevê renegociação de dívidas de cartão, cheque especial, crédito pessoal e Fies, com descontos de 30% a 90% e juros de até 1,99% ao mês.
Arenas atendidas incluem famílias, estudantes do Fies, empresas e agricultores rurais. Débitos em atraso de 90 dias a dois anos, com data-base até 31 de janeiro de 2026, entram no pacote. A adesão ocorre por canais oficiais das instituições.
Outra novidade é o uso do FGTS. Até 20% do saldo pode ser utilizado para reduzir a dívida, com transferência direta entre bancos e autorização do trabalhador. A Caixa gerencia a operação para direcionar os recursos aos credores.
Quem está mais vulnerável à inadimplência
Entre as regiões, a Região Norte lidera os índices de inadimplência, com Amapá no topo entre os estados. Distrito Federal, Amazonas e Mato Grosso do Sul aparecem logo atrás. Santa Catarina apresenta o menor índice.
Entre faixas de renda, o grupo com até 2 salários mínimos concentra a maior parcela de casos graves. Jovens de 18 a 34 anos também apresentam maior propensão a atrasos graves do que adultos e idosos.
Aprovação de crédito e perfil de inadimplentes
Apesar do aumento da oferta de crédito, jovens costumam atrasar mais do que outras faixas etárias, especialmente no rotativo do cartão. O valor médio de dívida por pessoa ficou em torno de R$ 6,7 mil, com dívida total estimada em R$ 557 bilhões.
No crédito, mulheres respondem por metade dos inadimplentes, mas há indicativos de maior pressão financeira entre elas: maior parcela da renda comprometida e juros mais altos em alguns produtos.
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