O governo anunciou a criação do Desenrola 2, programa de renegociação de dívidas pessoais voltado especialmente para pessoas com renda de até cinco salários mínimos. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (4) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em meio a pressões inflacionárias e a elevação dos juros. O objetivo é reduzir o impacto do endividamento sobre famílias e ampliar o fluxo de caixa.
Segundo o governo, o Desenrola 2 prevê descontos de até 90% sobre débitos, independência de santidade contábil do crédito e possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para quitar ou renegociar dívidas. O programa também permite a renegociação com custos máximos de 1,99% ao mês, ou 26,7% ao ano. O público-alvo é composto por devedores com nome sujo até R$ 100 e renda mensal até R$ 8.105.
O que levou à medida
Dados fiscais recentes indicam aperto financeiro para as famílias, com o spread bancário em patamares elevados e juros médios de crédito ao consumidor entre 27,7 e 61,5% ao ano, dependendo da modalidade. A elevação das parcelas de financiamento e a deterioração da renda contribuíram para o impulso ao lançamento de um novo programa de renegociação.
Contexto econômico e prioridade do governo
A Fazenda aponta que a alta da despesa pública e a inflação associada elevaram a necessidade de instrumentos de alívio imediato para consumidores endividados. A gestão também sinaliza que o sucesso do Desenrola 2 dependerá de condições para queda sustentada dos juros e de ajustes no Orçamento e na trajetória da dívida pública.
Perspectivas e limites
Autoridades admitem que o efeito de curto prazo do Desenrola 2 pode ser limitado se não houver queda consistente da taxa básica de juros e melhoria da confiança fiscal. No cenário externo, continuam riscos ligados a preços de petróleo e a tensões geopolíticas que afetam o custo de crédito.
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