- O tucano-ariel (Ramphastos ariel) foi monitorado na floresta da Tijuca por um ano para registrar as espécies de plantas consumidas pelo animal.
- A equipe caminhou, em média, mais de 20 quilômetros por dia pela mata para observar os hábitos alimentares.
- O estudo mostrou que o pássaro interagiu com pelo menos 76% das plantas que, historicamente, faziam parte de seu cardápio.
- Observou-se que ele pode atuar como dispersor de sementes de árvores ameaçadas, como a palmeira jussara (Euterpe edulis) e a Virola bicuhyba, ambas listadas como ameaçadas.
- A espécie foi reintroduzida em 1970 no parque Tijuca; o estudo atual é um dos primeiros a avaliar a reintrodução após mais de meio século.
Os pesquisadores acompanharam o tucano-ariel Ramphastos ariel pela Floresta da Tijuca durante um ano, registrando todas as espécies de plantas consumidas e comparando com uma lista de 101 plantas nativas com as quais a ave interagiu historicamente. O estudo busca entender o papel da espécie na dispersão de sementes.
A equipe percorreu mais de 20 quilômetros diários pela mata para observar hábitos alimentares do tucano. Os resultados mostram que o pássaro interagiu com pelo menos 76% das plantas do conjunto histórico de alimento.
O trabalho destaca ainda a habilidade do tucano para abrir frutos com cascas desafiadoras, apoiando a ideia de que pode atuar como dispersor de sementes de árvores em risco. Entre elas estão a jussara e a bicuíba-branca, ambas classificadas como endêmicas e com redução de área de ocorrência.
Relevância ecológica e reintrodução
A jussara, especialmente, aparece como uma das espécies mais consumidas, sugerindo papel central na dispersão de sementes de plantas com maior potencial de regeneração. Outros animais reintroduzidos recentemente no parque incluem o cutia-de-cauda-vermelha e o howler-do-barranco, com sobreposição alimentar baixa com o tucano, indicando função única do tucano no ecossistema.
Observações mostram ainda que o tucano interage com quase 90% das plantas com sementes médias e grandes (acima de 6 mm), o que reforça seu possível papel na propagação de espécies de maior sementes.
A ave foi reintroduzida em 1970, quando o primatólogo Adelmar Coimbra Filho soltou 46 indivíduos no Parque Nacional da Tijuca para a recuperação da fauna da mata degrada. Desde então, os pássaros permaneceram pouco monitorados.
O estudo atual é um dos primeiros a avaliar a reintrodução após mais de meio século. Os pesquisadores ressaltam que há lacunas de conhecimento, como quanto os tucanos contribuem para a dispersão de diferentes espécies de plantas e para a restauração florestal. A equipe destaca a necessidade de continuidade de monitoramento.
Entre na conversa da comunidade