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A exportação mais valiosa da Amazônia não é madeira, é chuva

Florestas tropicais geram parte significativa da chuva regional; o desmatamento reduz a precipitação e afeta água, energia e agricultura

Rain over the Amazon. Photo by Rhett Ayers Butler
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  • Estudo quantifica quanto as florestas tropicais geram de chuva: cerca de 240 litros por metro quadrado por ano, chegando a ~300 litros na Bacia Amazônica.
  • Perda de florestas reduz a chuva regional, em média ~2,4 milímetros anuais por ponto porcentual de desmatamento, com efeitos mais intensos na Amazônia.
  • O processo envolve evapotranspiração: árvores retiram água do solo e liberam vapor que ajuda na formação de nuvens e chuva a jusante.
  • Remover um quilômetro quadrado de floresta pode diminuir a chuva local em centenas de milhões de litros por ano, influenciando áreas distantes pela circulação atmosférica.
  • O valor econômico estimado da chuva gerada pela Amazônia brasileira é de cerca de $20 bilhões por ano, mostrando as florestas como infraestrutura hídrica continental.

O estudo revisitado aponta que as florestas tropicais não são apenas receptoras de chuva, mas geradoras de chuva. Ao combinar observações de satélite com modelos climáticos, pesquisadores estimam que cada metro quadrado de floresta produz cerca de 240 litros de precipitação por ano, chegando a 300 litros na Amazônia. Em vez de serem mares passivos do clima, as florestas atuam ativamente na formação e distribuição da chuva.

O mecanismo central é a evapotranspiração: árvores retiram água do solo e a devolvem à atmosfera, contribuindo para a formação de nuvens e precipitação a jusante. Em termos práticos, a perda de floresta reduz a chuva regional. Um ponto percentual de perda florestal corresponde a cerca de 2,4 milímetros a menos de chuva por ano, com impactos maiores na Amazônia.

Relevância para o ciclo hidrológico

As conclusões se alinham ao conceito de reciclagem de umidade atmosférica: boa parte da precipitação sobre os continentes tem origem na evaporação de áreas terrestres, alimentando-se de transpiração das plantas. A umidade pode percorrer centenas de quilômetros antes de retornar como chuva, formando o que científicos brasileiros chamam de rios voadores.

A remoção de um quilômetro quadrado de floresta tropical implica reduções significativas de água na região. A área afetada abrange terras agrícolas, cidades e reservatórios distantes, que dependem do regime de chuvas gerado pela cobertura florestal. A relação entre desmatamento e disponibilidade de água se estende além dos limites imediatos.

Implicações para agricultura e energia

A produção de alimentos depende de água gerada pela vegetação intacta, o que pode exigir áreas de floresta maiores do que a área cultivada. Em termos práticos, o desmatamento pode comprometer condições climáticas essenciais para a agricultura. A energia hidrelétrica também é sensível a mudanças no regime de chuvas, com quedas na descarga dos rios em cenários de desmatamento.

Observações de campo indicam que, na Amazônia brasileira, reduções modestas na cobertura florestal já se associam a quedas na chuva da estação seca. Além de impactos locais, alterações na circulação atmosférica reduzem a entrada de umidade vinda de outras regiões, potencializando o efeito em escala continental.

Valor econômico e políticas públicas

Estudos sugerem que a chuva gerada pela floresta na Amazônia brasileira pode valer cerca de 20 bilhões de dólares por ano, estimativa que supera o valor anual de produção de madeira na região. Embora a chuva não possa ser vendida como água de irrigação, o cálculo demonstra a dependência econômica de serviços climáticos.

A visão de florestas como infraestrutura hídrica continental ajuda a entender ganhos e riscos de políticas de proteção. A regeneração de ecossistemas pode sustentar a agricultura, o fornecimento de água e a geração de energia, ao passo que o desmatamento aumenta a vulnerabilidade de sistemas urbanos e rurais frente à mudança climática.

Observadores destacam ainda que a água gerada pela vegetação não respeita fronteiras nacionais, tornando os efeitos uma questão de interesse comum. A gestão de recursos, portanto, exige cooperação regional para manter serviços climáticos que influenciam a vida econômica de várias comunidades.

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