- Milhares de prisioneiros políticos no Irã estão em risco devido aos ataques dos EUA e de Israel e à retaliação do regime, com comunicação dificultada por censura e queda de internet.
- O caso de Ahmadreza Djalali, cientista sueço-iraniano preso desde dois mil e dezesseis e condenado à morte por espionagem, é citado entre os chefes de risco; ele falou com a esposa em três de março, durante bombardeios em Teerã iniciados em 28 de fevereiro.
- Em Evin, o principal presídio, as condições deterioraram: superlotação, falta de comida, cartão eletrônico de compra de itens parou de funcionar e restrições para ligações e visitas.
- Prisioneiros estão sendo transferidos para locais desconhecidos; houve danos parciais na muralha de Evin em três de março, e relatos de prisões em Ahvaz também afetadas.
- Organizações de direitos humanos e a Organização das Nações Unidas alertam para risco elevado de tortura, execuções sumárias e desaparecimentos forçados; dezenas de jornalistas continuam detidos.
Na sequência dos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã, milhares de presos políticos correm risco de violência, prisões arbitrárias e deterioração das condições de detenção. Relações familiares relatam que prisioneiros ouvem explosões, mas as portas das alas permanecem trancadas.
Ahmadreza Djalali, cientista iraniano-sueco, está preso desde 2016. Conduzido no contexto de uma visita acadêmica, foi condenado por espionagem e sentenciado à morte. Organizações internacionais contestam a acusação e defendem sua libertação.
Vida Mehrannia, esposa de Djalali, disse que o casal conversou no dia 3 de março, quando as bombas atingiam Teerã e ele estava no presídio de Evin. A ligação foi breve e com falhas de áudio.
Evin, em Teerã, abriga entre 1.500 e 2.000 detidos, segundo o Iran HRM. O presídio tem histórico de abusos a dissidentes e jornalistas, e é apelidado de “Universidade de Evin” pela presença de muitos acadêmicos entre as detenções.
A crise dentro dos muros se agrava desde o início de fevereiro, com cortes de internet e restrições de comunicação. Relatos de falta de alimentação, água e itens básicos aparecem de prisioneiros em várias alas, segundo organizações de direitos humanos.
Situação dos prisioneiros
Relatos de prisão de mulheres em Evin indicam atraso no fornecimento de comida desde o dia 28 de fevereiro. Cartões eletrônicos para comprar alimentos deixaram de funcionar, agravando a carência de recursos. Superlotação e condições sanitárias precárias também são mencionadas.
Departamentos de segurança controlam áreas de prisões em meio a ataques. Há informações não confirmadas sobre o NOPO, força policial especial, tomando controle de parte de Evin. Algumas transferências de detidos para locais desconhecidos foram reportadas.
Além de Evin, outras prisões na região enfrentam dificuldades, com relatos de danos estruturais após ataques em Ahmad e outras cidades. Em Qarchak, prisões femininas enfrentam agravamento de condições, com desabastecimento hídrico e ausência de staff em regimes de emergência.
Diversos prisioneiros foram movidos ou libertados temporariamente. Profissionais de saúde detidos há anos, muitos ainda sem localização definida, aparecem em listas de organizações de direitos humanos. A cobrança de informações sobre seus paradeiros é frequente entre familiares.
A comunidade internacional acompanha a situação com preocupação. Organizações como Amnesty International e o Conselho de Direitos Humanos da ONU destacam riscos de tortura, execuções sumárias e desaparecimentos forçados sob o pretexto de conflitos.
Familiares insistem na necessidade de reconhecer os presos por seus nomes, para evitar que sejam esquecidos ou alvo de abusos. Especialistas estimam que milhares de prisioneiros políticos possam estar em risco em várias prisões iranianas diante da escalada.
Enquanto o regime atribui ações a divergências internas e a pressões externas, defensores dos presos ressaltam que os direitos civis devem ser protegidos mesmo em tempos de tensão. A defesa de Djalali e de outros detidos permanece em curso, sem indicar prazos ou desfechos.
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