- Missão de apuração da ONU afirmou que o “estado repressor” da Venezuela permanece em funcionamento mesmo após a saída de Nicolás Maduro, removido no início de janeiro pelos EUA.
- O relatório aponta que estruturas institucionais que facilitam violações de direitos humanos não foram desmontadas; e ocorreram 87 detenções politicamente motivadas desde a saída de Maduro.
- O governo venezuelano nega abusos de direitos humanos e afirma que os presos são criminosos comuns.
- A missão pediu a libertação imediata de todas as pessoas detidas politicamente e acesso irrestrito ao país para continuar as investigações.
- O relatório cita que autoridades governamentais e militares identificadas como responsáveis por crimes contra a humanidade continuam com poder significativo; ONG e autoridades criticaram o processo de anistia e transparência das prisões liberadas.
A missão de apuração da ONU informou nesta quinta-feira que o chamado estado repressivo da Venezuela permanece funcional mesmo após a remoção do ex-presidente Nicolas Maduro pelas forças dos EUA no início de janeiro. O relatório para o Conselho de Direitos Humanos aponta que estruturas institucionais que facilitam violações de direitos humanos não foram desmanteladas.
A obra de campo cita 87 detenções politicamente motivadas ocorridas desde a destituição de Maduro. O governo venezuelano nega abusos e afirma que quem está detido cometeu crimes comuns. O Ministério das comunicações do país não respondeu a pedidos de comentário.
Segundo a missão, membros seniores do governo e de altas patentes militares identificados como responsáveis por crimes contra a humanidade continuam com grande poder. Washington critica o histórico democrático venezuelano, acusando o governo de fraude eleitoral e repressão política.
O governo americano já sinalizou intenção de assumir controle sobre a Venezuela, sem pressionar por novas eleições, mantendo relações com a vice-presidente Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a presidência e apoiou mudanças regulatórias no petróleo e na mineração para atrair investimentos.
Rodríguez sancionou uma lei de anistia como parte de um acordo para libertar milhares de presos. Em fevereiro, o governo informou que quase 2.200 pessoas teriam sido libertadas sob a nova lei, mas organizações locais apontam falhas de transparência e estimam números bem menores.
Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal, afirmou em coletiva que ainda há um sistema repressivo e uma justiça usada para perseguição. A missão da ONU pediu a libertação imediata de todos os detidos politicamente e acesso irrestrito ao país para prosseguir investigações.
A ONU não estimou quantos ainda estão presos. A representante da missão, Maria Eloisa Quintero, afirmou que Venezuela não pode estar efetivamente no caminho de reformas de direitos humanos sem o desmantelamento desse aparato repressivo.
Entre na conversa da comunidade