- Grupos indígenas e comunidades locais no Nepal têm promovido protestos e ações judiciais contra projetos de hidroelétrica que, segundo eles, afetam terras, meios de subsistência e vínculos culturais.
- Em Jhumlabang, no distrito de Rukum, comunidades resistem à mineração de ferro sem consentimento livre, prévio e informado, que pode impactar rios, florestas e terras ancestrais.
- O projeto de teleférico Pathibhara gerou críticas por avaliação ambiental falha; autoridades chegaram a determinar suspensão da construção após protestos de moradores Limbu.
- O governo anterior concedeu status de prioridade nacional a seis teleféricos, incluindo um dentro de área protegida, gerando preocupação sobre consulta comunitária e conservação.
- Um projeto de reflorestamento que usa conhecimento ecológico local mostrou resultados positivos, com aumento na densidade de vegetação em seis sítios de estudo na Gandaki.
Em 2025, povos indígenas e comunidades locais no Nepal intensificaram resistência a projetos de desenvolvimento que afetam suas terras e florestas. As ações vão desde ações judiciais até manifestações, com impactos diretos sobre moradias, economia e vínculos culturais com a natureza.
Relatos divulgados em Mongabay destacam disputas envolvendo hidrelétricas, teleféricos e mineração. Entre as pautas, destaca-se a violação potencial de direitos de povos como Bhote-Lhomi Singsa e comunidades de áreas como Chyamtang, Ridak e Thudam, onde há temores de deslocamento e danos ambientais.
Ações legais e protestos também ocorreram em montanhas remotas, onde comunidades temem impactos sobre rios, florestas e a biodiversidade. Em Contrapontos com decisões oficiais, organizações indígenas argumentaram pela consulta prévia, livre e informada (FPIC) e pelo respeito a normativas internacionais.
Indígenas de diversas regiões denunciaram a ausência de consentimento para grandes projetos de mineração de ferro em Jhumlabang, Rukum, que pode afetar terras agrícolas, pastagens e áreas de conservação. Autoridades teriam autorizado concessões sem consulta adequada às comunidades afetadas.
Diversos casos ganharam contornos de debate sobre impactos ambientais. O projeto de teleférico Pathibhara, em área sagrada do povo Yakthung (Limbu), gerou protestos diante de suposta avaliação ambiental incompleta e derrubada de milhares de árvores além do registrado no relatório.
Paralelamente, documentos indicam que um conjunto de projetos de teleférico recebeu status de prioridade nacional, incluindo um dentro da Área de Conservação do Annapurna. Organizações indígenas e especialistas alertaram para falta de consulta comunitária e risco a áreas sensíveis.
Em reação a esse cenário, bancos de desenvolvimento foram alvo de críticas por financiar hidrelétricas controversas, com o Tanahu como foco. Organizações de direitos apontam danos ambientais, violações de terras e compensação inadequada aos deslocados.
Em outra frente, uma iniciativa de reflorestamento envolvendo conhecimento local demonstrou resultados positivos. Em seis locais na região Ocidental de Gandaki, comunidades plantaram mais de 131 mil árvores de 44 espécies nativas em cerca de 76 hectares de terras públicas, com ganhos de cobertura vegetal observados até 2022.
Além das disputas locais, Nepal participou do COP30 em Belém, com participação indígena restrita, mas buscando avanços em financiamento climático para adaptação e inclusão de linguagem sobre ecossistemas de montanha no documento final Global Mutirão.
Papéis e impactos
- O que aconteceu: protestos, ações judiciais e decisões administrativas relacionados a hidrelétricas, teleféricos e mineração.
- Quem está envolvido: comunidades indígenas e locais, líderes comunitários, autoridades, investidores e bancos de desenvolvimento.
- Quando: ações iniciaram em 2021-2024, com desdobramentos em 2025; participação em COP30 ocorreu neste ano.
- Onde: diversas regiões do Nepal, incluindo Chyamtang, Ridak, Thudam, Jhumlabang (Rukum) e áreas na região de Gandaki.
- Por quê: recursos naturais, meios de subsistência e vínculos culturais ameaçados por projetos de infraestrutura e exploração de recursos.
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