- Camilo Vannuchi lança Nunca Mais, reconstituindo o projeto Brasil: Nunca Mais e indicando que houve 707 processos políticos no Superior Tribunal Militar, com 444 torturadores identificados e 242 centros de tortura.
- O livro reúne novos depoimentos, arquivos e personagens para mostrar o nível de risco e organização que sustentaram a denúncia mais ampla de tortura no país, conectando passado à violência de Estado atual e ao revisionismo recente.
- A força-tarefa atuou de forma discreta, mudando de endereço diversas vezes e contando com apoio de espaços como igrejas, para evitar exposição durante a coleta e reprodução dos materiais.
- Os documentos foram xerografados e analisados, resultando em um relatório de seis mil páginas; o material consolidou-se na edição pública Brasil: Nunca Mais, publicada há quatro décadas.
- O tema segue em debate, com cobranças por abrir arquivos da ditadura, avanços em memória e verdade e a continuidade de ações para punir torturadores, além de reflexões sobre custos para a democracia.
Camilo Vannuchi lança Nunca Mais, livro que reconta a força-tarefa secreta Brasil: Nunca Mais. A obra revisita depoimentos, arquivos e nomes de torturadores, mostrando como o projeto mapeou tortura e centros de violência durante a ditadura.
A pesquisa teve acesso a 707 processos no Superior Tribunal Militar, identificando 444 torturadores e 242 locais de abuso. Parte do material foi preservado após a repressão, embasando uma das maiores denúncias já feitas sobre o tema no país.
Segundo o autor, a força-tarefa funcionou mesmo diante do sigilo, da evasão de documentos e da necessidade de atuação remota. O livro liga o passado à violência de Estado atual e ao revisionismo que ganhou força no bolsonarismo.
Brasil: Nunca Mais
A obra utiliza novos depoimentos, arquivos e personagens para revelar a vigilância, o improviso e o risco envolvidos na denúncia de violações. O foco é apresentar fatos, provas e relações de poder sem juízo de valor.
Vannuchi comenta que parte dos documentos só chegou ao STM porque a própria resistência resolveu preservar o material. A estratégia incluiu relocação de arquivos e registro cuidadoso para evitar a destruição.
O livro também aborda impactos contemporâneos, como a impunidade persistente e a fragilidade institucional diante de militares e grupos que tentam reescrever a história. A relação entre passado e presente é rastreada minuciosamente.
Persistência do tema
O autor destaca que a discussão sobre memória e justiça ainda é necessária. Ao longo da entrevista, ele reforça a importância de enfrentar vitórias e derrotas do processo democrático, sem perder o foco nos direitos humanos.
Vannuchi é pesquisador com décadas de atuação em memória, direitos humanos e violações ocorridas durante a ditadura. Entre seus títulos, destacam-se obras sobre violência do período e casos de repressão.
O livro expõe a necessidade de abrir arquivos, responsabilizar torturadores e consolidar mecanismos de memória. A obra aponta que, apesar de avanços, a impunidade pode minar a democracia se não for enfrentada.
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