- Camp East Montana, em Fort Bliss, El Paso, abriga cerca de 3.000 pessoas com superlotação, condições sanitárias precárias e dificuldade de acesso à saúde.
- Dados de mais de cento trinta chamadas 911 indicam emergências médicas e mentais recorrentes, incluindo convulsões, ferimentos e ideação suicida entre detidos.
- Dois incidentes terminaram em morte: um homem cubano morreu por asfixia após uso de força; outro homem nicaraguense cometeu suicídio dias depois de ser detido.
- Registros apontam várias tentativas de suicídio e relatos de traumas entre detidos; DHS afirma monitoramento de risco e tratamento de saúde mental.
- A congresswoman Veronica Escobar pediu investigação sobre a contratação e operação do campo, defendendo seu fechamento e destacando falhas no abastecimento de alimentação e em abordagens de segurança.
O Camp East Montana, instalado no Fort Bliss, em El Paso, Texas, tem registrado emergências médicas e de saúde mental frequentes desde a abertura no last summer. Dados obtidos pela Associated Press a partir de centenas de chamadas 911, entrevistas e documentações revelam superlotação, negligência médica, desnutrição e sofrimento emocional entre os detainees.
Mais de 3 mil pessoas vivem em instalações barulhentas e insalubres, segundo relatos de detentos e ex-detentos. Afirmam dificuldade de acesso a cuidados de saúde, com doenças se disseminando e perda de peso por alimentação inadequada. Guardas são descritos como agressores em distúrbios.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna, não identificado, negou condições inadequadas, dizendo que há alimentação, água e tratamento médico, além de limpeza regular. A AP manteve a análise de que o local apresenta falhas persistentes em gestão de saúde e bem-estar.
Dados relevantes e desdobramentos
Após a inauguração do campo, as chamadas de emergência caíram perto de uma por dia nos primeiros cinco meses, segundo o levantamento da AP com dados de El Paso. Entre os relatos, houve agressões entre detentos, pensamentos suicidas e dores graves de gestantes com Covid-19.
Ferimentos variam de quedas de beliche a dificuldades respiratórias em idosos. Registros apontam pelo menos 20 emergências envolvendo convulsões, com alguns casos resultando em traumas cranianos. A medição psicológica sugere tentativas repetidas de autolesão entre os internos.
Duas mortes foram registradas: um cubano de 55 anos que tentou se ferir e foi contido com algemas, com o laudo médico apontando homicídio por asfixia; e um homem de 36 anos, natural da Nicarágua, que se suicidou dias após detenção em Minnesota. Além disso, ao menos seis tentativas de suicídio foram reportadas.
Reações oficiais e contexto político
A DHS afirmou que a equipe do campo monitora detidos em risco e oferece tratamento de saúde mental. O jornal Washington Post publicou que uma inspeção obrigatória da ICE apontou violação de pelo menos 60 padrões federais, embora o relatório não tenha sido divulgado.
A congressista texana Veronica Escobar já visitou o campo diversas vezes e pediu o fechamento da instalação. Em visita recente, ela relatou casos de alimentação insuficiente, com refeições chegando congeladas no meio, e privação de sucos, frutas e leite para os detentos.
Escobar também mencionou um detainee que teve o braço quebrado durante uma prisão violenta nos EUA e pediu investigação sobre a empresa contratada Acquisition Logistics LLC, responsável pela construção e operação do campo, com contrato de até 1,3 bilhão de dólares.
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