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Os filhos da repressão: relatos e memórias de quem viveu sob regime

Famílias de perseguidos pela ditadura lutam por anistia coletiva e memória pública, destacando traumas transgeracionais e reparação

Entre gerações. O grupo ingressou como amicus curiae na ação no STF para a revisão da Lei da Anistia imposta pelos militares – Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil e Coletivo Filhos e Netos Por Memória, Verdade e Justiça
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  • O grupo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça luta por anistia coletiva e pela memória da ditadura, incluindo retratação pública e acesso a arquivos.
  • Depoimentos e documentos indicam traumas transgeracionais: separação familiar, prisão, tortura, exílio, vigilância, estigmas sociais, perdas materiais e impactos na saúde.
  • O pedido de anistia coletiva foi protocolado com apoio da Defensoria Pública da União, prevendo medidas reparatórias como atendimento psicológico, retorno de Clínicas de Testemunho e memorial virtual.
  • O coletivo atua como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 320 no Supremo Tribunal Federal, buscando ampliar reparações e a abertura de arquivos das Forças Armadas.
  • Planos futuros incluem entregar um requerimento de anistia a Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho em evento no Cinema São Luiz, no Recife, reunindo parlamentares e outros coletivos.

O coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça atua para obter uma anistia coletiva e ampliar o reconhecimento dos impactos da ditadura. O grupo reúne familiares de perseguidos, com atuação marcada por demandas de memória e reparação.

Os integrantes dizem que traumas transgeracionais resultaram em separações familiares, prisões, clandestinidade, tortura, exílio e perdas materiais. Esses efeitos são vistos como transmitidos entre gerações por vias psíquicas, sociais e biológicas.

Nascido em Natal, no Rio Grande do Norte, o coletivo surgiu a partir de uma audiência pública de 2014, quando houve pedido de desculpas do Estado. A ação partiu de representantes da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro.

O grupo se developou a partir de clínicas de testemunho, criadas pela Comissão de Anistia, para atender familiares. Therapias mostraram impactos que vão além da experiência individual, levando à expansão da iniciativa para filhos e netos.

Em 2024 e 2025, o coletivo encaminhou um pedido de anistia coletiva com apoio da Defensoria Pública da União. A proposta prevê retratação pública, atendimento psicológico, acesso a arquivos, gratuidades cartoriais e apoio jurídico.

Além disso, o Filhos e Netos atua como amicus curiae na ADPF 320 no STF, buscando reinterpretar a Lei de Anistia de 1979. Em novembro, enviaram recomendações ampliadas sobre reparações ao governo, em parceria com o Conselho Nacional de Direitos Humanos.

Avanços e próximos passos

O grupo já solicitou abertura de arquivos das Forças Armadas e participou de ações junto à ONU, tendo entregue um pedido ao relator especial Bernard Duhaime. Planos atuais incluem evento cultural para apresentar o pleito, com a participação de personalidades do cinema.

Entre as ações propostas, está a entrega de uma carta com o requerimento de anistia durante uma cerimônia no Recife, no cinema São Luiz, envolvendo parlamentares e outras entidades. A ideia é unir demanda técnica e cultural.

Para Jana Sá, jornalista associada ao coletivo, o tema é essencial por mostrar o vínculo entre memória e democracia. Ela ressalta que o esquecimento político impede o enfrentamento público de erros históricos.

O movimento reforça que memória não é apenas dor, mas instrumento de prevenção. Os integrantes destacam que reconhecer e reparar é crucial para manutenção da democracia e respeito às vítimas.

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