- Enchentes atingiram Córdoba, com 24 municípios afetados; Montería registra múltiplos bairros alagados, incluindo La Palma, e centenas de famílias isoladas.
- Ao menos sete pessoas morreram e cerca de sessenta e nove mil pessoas foram deslocadas; quatro mil oitocentos estão em abrigos na cidade.
- A origem das cheias é debatida: frente fria e variações climáticas podem ter intensificado as chuvas, enquanto críticos acusam a barragem Urrá de manter níveis elevados e liberar água durante o pior período.
- Autoridades afirmam dificuldades logísticas e reconhecem que o evento foi acima das estimativas históricas; a Agência Nacional de Licenciamento Ambiental abriu processo contra Urrá S.A. E.S.P. por suposto excesso de volume.
- Indígenas Embera Katío e comunidades ribeirinhas estão entre as mais vulneráveis; há riscos de dengue e outras doenças, com apoio humanitário sendo distribuído de forma irregular em algumas áreas.
Observa-se uma enchente histórica em Córdoba, Colômbia, que começou com chuvas fortes em fevereiro e levou a uma crise regional. Em Montería, no bairro La Palma, água atinge ruas e casa, forçando moradores a improvisar balsas com refrigeradores para transportar pertences. A sobrevivência depende do deslocamento em áreas alagadas até terrenos secos.
Aos poucos, o desastre ganhou contorno humano: Ana Castillo, 33, observa os desabamentos de sua casa, com a água até a parede. A situação de moradores de La Palma é comum em 27 bairros da cidade, atingidos pela cheia que avança pela região durante a seca. O que começou como temporária elevou os níveis para o cenário atual.
Segundo dados oficiais, 24 municípios de Córdoba foram afetados e sete pessoas morreram. Cientistas apontam mudanças climáticas e padrões meteorológicos instáveis como fatores, mas há debate sobre a contribuição da represa Urra, que abastece a região com energia hidroelétrica. Críticos dizem que a represa manteve o nível do reservatório alto e liberou água durante a emergência.
Autoridades reconhecem dificuldades logísticas sem precedentes na região. O secretário de governo de Montería afirma que as gestão de riscos se baseou em níveis históricos, e o episódio excedeu previsões. O governo avaliou impactos e trabalha para organizar abrigos e assistência para famílias afetadas.
A crise é associada a um front frio incomum que trouxe chuvas acima da média entre 1º e 6 de fevereiro. Entre 1º de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro, choques de precipitação superaram padrões históricos, levando a medidas de emergência em níveis estadual e municipal.
Analistas mostram que mudanças climáticas podem aumentar a vulnerabilidade de Córdoba a inundações futuras. Pesquisadores destacam que aquecimento global intensifica a umidade no ar, enquanto ventos costeiros trazem mais vapor para o interior, agravando eventos extremos. A variabilidade natural também atua, mas não explica sozinha o desastre.
O debate sobre a represa Urra diverge entre especialistas e autoridades. Defensores da infraestrutura destacam que o reservatório controla enchentes há décadas, reduzindo riscos para a região. Críticos apontam impactos ambientais e sociais de longo prazo, inclusive alterações no manejo dos cursos dágua que poderiam ter aumentado a vulnerabilidade.
Em comunicado, a Urra S.A. E.S.P afirma que a função do reservatório é gerar energia e controlar enchentes, ressaltando que o manejo busca reduzir danos durante events de chuva intensa. A empresa não respondeu a pedidos de comentário sobre acusações feitas por autoridades e líderes locais.
Ao mesmo tempo, entidades civis e acadêmicas ressaltam a responsabilidade histórica de decisões sobre o uso do território. Defendem que a presença da represa, associada a mudanças no uso da terra e à presença de comunidades indígenas, contribuiu para fragilizar a defesa natural contra cheias.
Mais de um mês após o início das enchentes, Córdoba permanece em estado de crise. Em Montería, cerca de 4.800 pessoas estão em abrigos oficiais, e o déficit de moradia atinge milhares no departamento. As instituições apoiam a distribuição de itens básicos e acomodações temporárias para famílias deslocadas.
A população deslocada, como a de Los Patos e Nariño, depende de ajuda de organizações humanitárias, que chegam a cada poucos dias. Moradores relatam dificuldades de acesso a água potável, saneamento e serviços básicos, enquanto o tempo de reconstrução continua incerto.
Entre os moradores, a sensação é de reconstrução lenta. Ramona Cuadrado, 70, vive em abrigo com a filha e o genro após perder o lar. Felix Diaz, que trabalha para proteger seus bens, encara a necessidade de recomeçar sob ameaça de doenças de origem hídrica.
Entre as comunidades atingidas, há relatos de impactos diretos sobre a saúde pública. Indeferimento de saneamento em áreas alagadas aumenta riscos de dengue e outras doenças, elevando a demanda por ações de limpeza e vigilância sanitária em várias regiões.
Em meio à evacuação e ao isolamento de comunidades ribeirinhas, a situação de povos indígenas, como Embera Katío e Zenú, permanece crítica. Famílias deslocadas vivem em abrigos improvisados, com acesso limitado a alimentação, água potável e moradia digna.
A crise humanitária em Córdoba evidencia a necessidade de ações coordenadas entre governo, setor energético e comunidades locais. Enquanto cientistas debatem causas, a prioridade fica com a proteção de vidas, a manutenção de serviços essenciais e a reconstrução de infraestruturas vulneráveis.
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