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Inundações de Hat Yai alertam cidades contra desafiar a natureza

Hat Yai enfrenta crise de confiança e fechamento de negócios após enchentes; especialistas pedem revisão de planejamento urbano e soluções baseadas na natureza

Flooding in HaT Yai, November 2010. Image by Government of Thailand via Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
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  • Três meses após as inundações de novembro de 2025, Hat Yai continua em limpeza e recuperação, com mais de quarenta por cento dos hotéis, lojas e restaurantes ainda fechados.
  • O setor empresarial não tem confiança para investir, especialmente as micro, pequenas e médias empresas, diante do risco de novas enchentes.
  • Historicamente, Hat Yai enfrentou quatro grandes desastres de inundação; o mais recente, em novembro, deixou cerca de 170 mortes e custo estimado entre 20 bilhões e 25 bilhões de baht, com perdas indiretas potenciais entre 300 bilhões e 400 bilhões de baht.
  • Há planos para uma ring road de sessenta e seis quilômetros com canal marginal para drenar água, o que pode alterar o padrão de drenagem natural e estimular mais desenvolvimento urbano.
  • Soluções baseadas na natureza (NbS) são discutidas como complemento às obras cinzas, mas enfrentam desafios institucionais, de governança e custo, já que a prioridade continua sendo o infraestrutura tradicional.

Hat Yai continua a enfrentar os efeitos das enxurradas de novembro passado, três meses após o desastre que marcou a cidade. A atividade econômica depende fortemente do turismo, com festivais do Ano Novo Chinês reduzidos à limpeza de casas e comércios danificados. Mais de 40% de hotéis, lojas e restaurantes permanecem fechados.

A recuperação é lenta e complexa. Empresários da região, incluindo o ex-vice-presidente da Câmara de Comércio da província de Songkhla, expressam insegurança para investir. O temor de novas enchentes alimenta a hesitação, principalmente entre micro, pequenas e médias empresas.

Esse cenário ocorre em meio a custos estimados e impactos de longo prazo. O último desastre deixou 170 mortos, e o levantamento oficial aponta perdas diretas entre 20 e 25 bilhões de baht; perdas indiretas podem elevar o total para 300–400 bilhões de baht.

Contexto da vulnerabilidade

Hat Yai está situada numa planície de inundação, recebendo água de dois sistemas fluviais, o U-Tapao e o Sadao, que deságuam no Sara Songkhla. A expansão urbana recente agravou o problema, com ocupação de áreas de drenagem natural e vias que dificultam o escoamento.

A cidade abrange hoje cerca de 1.200 km², e o crescimento não acompanhou planos de manejo de uso do solo adotados 14 anos atrás. A construção de áreas contra o fluxo natural de água elevou o risco, segundo especialistas. A bacia do Lago Songkhla também sofre assoreamento, piorando a retenção de água.

A mudança climática intensifica as temporadas de monções, trazendo chuvas mais frequentes e fortes. Há previsões de novas inundações em próximos cinco anos, com risco agravado pela temporada de chuvas.

Infraestrutura e seus limites

Desde o desastre de novembro, discutem-se medidas para mitigar enchentes futuras, incluindo melhoria de modelagem, sistemas de alerta precoce e planejamento do uso do solo. Hat Yai investiu em infraestrutura hídrica, como canais de drenagem ampliados e um conjunto de bombas, porém, com apenas parte delas operando em 2025.

O principal canal, o Khlong R.1, foi ampliado em etapas após enchentes de 2000 e 2010, mas as intervenções não impediram novas inundações. A cidade mantém uma rede de 19 bombas, sujeita a custos elevados de operação, com apenas parte funcionando no último ano.

Além disso, ante a aproximação de uma rodovia de 66 km com canal paralelo, a ideia é direcionar águas para a Songkhla Lake. Especialistas alertam que esse tipo de solução pode alterar drasticamente o padrão de drenagem e estimular desenvolvimento urbano ao longo da via, agravando riscos.

Rumo a soluções baseadas na natureza

Especialistas discutem soluções naturais para reduzir o risco de cheias, complementando a infraestrutura cinza. Entre as propostas estão restauração de áreas alagáveis, recuperação de áreas úmidas e reconexão de planícies de inundação. Tais abordagens exigem planejamento de larga escala e cooperação entre autoridades locais.

Organizações da sociedade civil defendem integrar soluções mais suaves ao planejamento urbano, com foco em espaços verdes, redes de drenagem mais resilientes e melhoria de sistemas de alerta. No entanto, a implementação depende de incentivos institucionais e de cooperação entre municípios.

Para que NbS seja eficaz, seria necessária uma atuação no nível da bacia do Lago Songkhla e mudanças estruturais no planejamento urbano. Atualmente, o desafio é mobilizar as diferentes autoridades locais para um plano conjunto, diante de interesses econômicos que favorecem a expansão.

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