- Em trinta e cinco dias de janeiro, um deslizamento em Niscemi, Sicília, abriu um desfiladeiro de quatro quilômetros após chuvas do Cyclone Harry.
- Mais de 1.600 pessoas foram evacuadas; casas, ruas e parte do centro histórico ficaram em risco de desabar.
- O risco atinge o centro histórico, incluindo igrejas do século XVII; a biblioteca Marsiano está na zona negra e não pode ser acessada.
- Comerciantes, como Benedetta Ragusa, relatam perdas totais de suas atividades; muitos moradores aguardam para retornar às casas.
- A Procuradoria abriu investigação por possível desastre negligente; especialistas veem o episódio como fruto de políticas urbanas inadequadas e da intensificação de eventos climáticos extremos.
O município siciliano de Niscemi enfrenta as consequências de um deslizamento de terra causado pela chuva intensa associada ao Ciclone Harry, em 25 de janeiro. A encosta inteira cedeu, abrindo um vale de 4 km de extensão e deixando centenas de casas em risco e ruas destruídas.
Mais de 1.600 moradores já foram evacuados pelas autoridades. Partes do centro histórico ficaram sob aviso de desmoronamento, com igrejas do século XVII sob ameaça de desabamento a qualquer momento. O quadro mantém a cidade em estado de emergência.
A região permanece isolada em muitos pontos, com veículos e fragmentos de via ainda caindo à medida que o solo instável cede. Familiares aguardam informações sobre parentes e pertences, enquanto equipes de resgate atuam no local.
Desdobramentos e impactos
As equipes de resgate montaram uma base temporária fora da zona vermelha para orientar evacuações e permitir que moradores recuperem objetos de valor. Em muitos casos, parentes recebem hospedagem em residências ou em hotéis simples nas proximidades.
Entre os bens ameaçados está a Biblioteca Marsiano, que abriga mais de 4 mil volumes raros. A área permanece inacessível para bombeiros na zona de risco, deixando o destino da coleção incerto. A prefeitura acompanha a avaliação feita por especialistas.
Negócios locais já foram afetados. O estabelecimento pizzería A Barunissa ficou sob risco de fechamento permanente, com o dono buscando salvar o que restaria de maquinaria e equipamentos. Outras atividades também foram atingidas pela queda de parte da infraestrutura.
Contexto histórico e políticas públicas
A sequência de deslizamentos em Niscemi não é inédita. A cidade já vivenciou desmoronamentos em 1790 e, mais recentemente, em 1997, quando parte da área se deslocou. A região é marcada por uma base de solo argiloso e vulnerável a eventos de chuva intensa.
Especialistas ressaltam que décadas de políticas de urbanização acelerada, com planejamento deficiente e ocupação de áreas de risco, contribuíram para o cenário. A região sul da Itália abriga muitos bairros construídos em encostas fragilizadas, sob risco de desabamento durante eventos de chuva extrema.
Investigação em andamento
A Procuradoria de Gela abriu procedimento para apurar possível negligência no desastre. Peritos analisam imagens fornecidas por órgãos oficiais e preparam ouvir testemunhas. O objetivo é esclarecer responsabilidades e caminhos de responsabilização.
Observações sobre clima e adaptação
Analistas apontam que eventos extremos têm ganhado intensidade no Mediterrâneo, associado a temperaturas mais altas e ao aquecimento das águas. Economistas e ecologistas alertam para falhas de planejamento urbano em áreas vulneráveis.
O município de Niscemi continua em estado de crise humanitária, com desabamentos em contínuo avanço. Moradores esperam retorno às casas, enquanto autoridades avaliam medidas de restabelecimento e reconstrução.
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