- Aproximadamente 400 profissionais da cultura assinaram uma carta aberta para pedir clareza do governo sobre o acordo, que exportará a Espanha parte da coleção Gelman Santander, com cerca de 160 obras, já neste verão.
- A coleção inclui obras de Frida Kahlo e Diego Rivera, além de Rufino Tamayo, José Clemente Orozco, Maria Izquierdo e David Alfaro Siqueiros, e está atualmente em exibição no México pela primeira vez em quase vinte anos.
- Sob o acordo com o Santander, o retorno das obras ao México está previsto ao fim do export temporário, mas o contrato permite possível extensão até 30 de setembro de 2030 mediante acordo entre as partes.
- A presidente do país afirmou o desejo de manter a coleção no México; o ministro da cultura disse que as obras devem retornar em 2028, e o Instituto Nacional de Belas Artes e Literatura (Inbal) tem participação na proteção de Kahlo.
- A polêmica envolve o status de obras de Kahlo, declaradas monumento artístico, e a percepção de que o acordo pode fragilizar leis de proteção e repatriação de acervos nacionais.
O conjunto Gelman Santander, uma das mais importantes coleções de arte mexicana do século XX, pode ser exportado para a Espanha. O acordo envolve obras de Frida Kahlo, Diego Rivera e outros mestres, sob gestão do Banco Santander. A saída ocorre por meio de um acordo com o Santander e especialistas questionam a duração e as condições da remessa.
A decisão envolve o governo mexicano, instituições culturais e profissionais do setor. O movimento de protesta inclui quase 400 signatários que pedem clareza sobre o que o acordo significa para as obras, especialmente as obras de Kahlo, com status de monumento artístico no país.
A obra é 160 itens da coleção Gelman, agora renomeada Gelman Santander. Os trabalhos passaram de propriedade de Jacques e Natasha Gelman para a família Zambrano em 2023 e ficam expostos no México pela primeira vez em quase duas décadas.
Controvérsia e o contexto jurídico
A parceria com o Santander prevê que a coleção seja exibida no México de forma inicial, com retorno definido para a Espanha neste verão, para integrar o centro cultural Faro Santander. A instituição afirma responsabilidade pela conservação, pesquisa e exposição.
Há incerteza sobre o tempo exato de permanência na Espanha. O diretor do Faro Santander afirmou que a legislação que regula as obras é flexível e que a presença permanente poderia ocorrer, gerando preocupação entre artistas, curadores e historiadores.
Grandes nomes da cultura mexicana argumentam que Kahlo, durante muito tempo protegida pela lei, pode ter sua saída temporária facilitada, o que desafia regras que asseguram repatriação. A norma de 1984 classifica Kahlo como patrimônio nacional, com retorno obrigatório.
Reações oficiais e próximos passos
A presidente do país afirmou o desejo de manter a coleção no México. A titular da cultura reforçou que as obras saíram do Brasil com saída temporária e devem retornar em 2028. O governo também destacou que apenas quatro itens de Kahlo são de propriedade pública.
A instituição financeira Santander ressaltou que o acordo não envolve aquisição nem remoção permanente e que as obras retornarão ao México ao fim do período temporário. Os termos exatos permanecem sob discussão entre as partes.
A discussão segue em aberto, com a comunidade cultural buscando garantias de que a coleção não será dispersa nem retirada de forma permanente. A imprensa acompanha as etapas legais e administrativas do acordo.
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