- Em 29 de dezembro, o Ministério Público de Guatemala determinou a realocação de 287 obras do Museo de Arte Colonial, em Antigua, conforme ordem judicial; a coleção ficou no prédio oitocentista por 89 anos.
- A mudança ocorreu em duas semanas e o museu foi fechado; as obras estão temporariamente armazenadas no Palácio Nacional de la Cultura, em Guatemala City, enquanto seis pinturas continuam no local por serem frágeis.
- A decisão judicial se baseou num relatório do Consejo Nacional para la Protección de la Antigua Guatemala, que apontou apenas dez obras em necessidade urgente de restauração e sugeriu a restauração in situ.
- Especialistas ressaltam riscos de danos devido a mudanças de temperatura, umidade e ventilação; a consolidação de algumas peças já está sendo preparada caso haja necessidade de deslocamento.
- O prédio histórico, pertencente à cidade de Antigua e reconhecido pela UNESCO, pode sofrer alterações de uso; a Bienal de Arte Paiz, por exemplo, precisou mover parte de suas obras para a cidade de Guatemala.
Nosso museu colonial em Antigua foi alvo de uma autorização judicial que ordenou a retirada de 287 obras do acervo público. A ação ocorreu após uma denúncia sobre condições de conservação no edifício do século XVIII, onde as peças estavam há 89 anos.
No dia 29 de dezembro, autoridades do Ministério Público chegaram ao Museo de Arte Colonial para cumprir a ordem de deslocamento. O conjunto da coleção foi transferido para o Palacio Nacional de la Cultura, em Guatemala City, em um cronograma de duas semanas.
A retirada, rápida e abrupta, gerou incertezas sobre o futuro do museu e sobre o destino das obras. Seis pinturas continuam no interior do prédio, por serem frágeis demais para remoção sem risco.
Relato do processo e conservação
O edifício é propriedade da cidade de Antigua, reconhecida pela UNESCO desde 1979 como Patrimônio Mundial. A gestão cultural do país mantém o acervo, com vigência de uso até 2032, conforme informou a ministra de Cultura, Liwy Grazioso, em coletiva de imprensa.
A decisão judicial partiu de um relatório do Conselho Nacional para a Proteção da Antigua Guatemala (CNPAG), solicitado pelo MP em maio de 2025. O documento apontou apenas dez obras com necessidade urgente de restauração, sugerindo intervenções no local.
Situação atual da coleção
Especialistas apontam que a conservação das peças já enfrentava problemas há anos, com alterações abruptas de temperatura e humidade. Há preocupação com danos irreversíveis em madeira e camadas de tinta devido a mudanças no ambiente.
A desmontagem das obras envolve avaliação técnica cuidadosa, incluindo critérios legais de embalagem e transporte. Obras já foram devidamente avaliadas e acondicionadas para exposição futura, segundo fontes do setor.
A prefeitura de Antigua pediu acesso ao processo e contestou a formalidade da ação. A gestão municipal e o governo avaliam medidas para assegurar a proteção do patrimônio sem comprometer o funcionamento cultural da cidade.
A prática de uso do espaço, que já abrigou o Museo Santiago de los Caballeros e outros equipamentos culturais, pode ser reavaliada. Enquanto isso, a Bienal de Arte Paiz precisou realocar obras para Guatemala City devido à suspensão temporária do museu.
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