- A exposição do Getty, How to Be a Guerrilla Girl, fica em cartaz até 12 de abril e examina o legado das Guerrilla Girls e o papel do anonimato na militância feminista.
- O cartaz de 1990, com “GUERRILLA GIRLS’ IDENTITIES EXPOSED!”, lista quase 500 nomes de artistas, mas o grupo afirma que a lista é uma jogada estratégica e que a verdadeira formação seria bem menor.
- Os curadores optaram por manter identidades em sigilo, redigindo nomes e contatos e não abrindo dois caixas de material que só serão acessíveis após o falecimento dos artistas.
- A mostra discute a contribuição coletiva versus autoria individual, sem esclarecer quem fez cada aporte nas campanhas e cartazes.
- Os organizadores destacam que o trabalho das Guerrilla Girls é mais significativo do que as identidades, e a equipe curatorial enfatiza o peso do labor por trás das obras.
A exposição How to Be a Guerrilla Girl, em cartaz no Getty até 12 de abril, revisita o legado das Guerrilla Girls, coletivo feminista que adotou máscaras de gorila para lutar contra o sexismo no mundo da arte. O museu enfatiza a produção coletiva por trás de cartazes e campanhas, sem revelar a identidade dos integrantes. O material exibido vem da aquisição feita pelo Getty em 2008, que reuniu 96 caixas, além de portfólios e arquivos.
A mostra destaca a prática de anonimato como estratégia de resistência. As fundadoras Kathë Kollwitz e Frida Kahlo participaram ativamente da recente apresentação, descrevendo o uso do anonimato como proteção e como forma de manter o foco nas condições sociais em vez de perfis individuais. A curadoria, porém, não esclarece quais membros contribuíram de que modo específico.
A curadoria opta por redigir o histórico sem expor nomes ou informações que poderiam comprometer artistas. Dentro da exposição, estão pendentes a abertura de duas caixas de arquivo com fotografias não identificadas, cuja divulgação está prevista apenas após falecimento dos artistas correspondentes. A decisão de manter sigilo também evita abordar conflitos entre membros e omitir ramificações não autorizadas surgidas na década de 1990, como Guerrilla Girls on Tour! e Guerrilla Girls BroadBand.
Análise da curadoria e o papel do anonimato
A equipe curatorial do Getty Research Institute (GRI) reforça que o objetivo é questionar a noção de um único gênio criativo no eixo da história da arte. A curadoria enfatiza que a ausência de nomes não diminui a importância das contribuições coletivas e o efeito provado de suas ações no ativismo feminista e na crítica ao mercado de arte.
A exposição também levanta questões sobre reconhecimento individual. Mesmo com o foco na laboriosa elaboração de cartazes, o público pode questionar como atribuir créditos entre os participantes. Especialistas destacam que a prática de assinalar contribuições de forma coletiva ajuda a evidenciar mecanismos de discriminação no meio artístico.
Segundo os curadores, a iniciativa de expor o trabalho em laboratório demonstra o valor do afeto coletivo na construção de campanhas persistentes. O projeto aponta para a necessidade de reconhecer a participação de diversas pessoas que colaboraram ao longo de quatro décadas, incluindo momentos de menor visibilidade pública.
Entre os aspectos discutidos, há uma reflexão sobre o peso simbólico das máscaras. As fundadoras reiteram que a imagem de anonimato facilita a comunicação de mensagens políticas sem depender de uma biografia individual. A ideia é manter o foco nas questões feministas que mobilizam o grupo há 40 anos.
A mostra também contextualiza o surgimento de ramificações associadas ao movimento, cuja legitimidade é apresentada como parte de uma história mais ampla de ativismo artístico. A curadoria ressalta que o objetivo é mostrar não apenas quem foram as Guerrilla Girls, mas quais foram seus temas centrais e como suas ações influenciaram debates sobre representação e poder na arte.
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