- Em 2014, Epstein investiu na Blockstream, empresa de desenvolvimento de criptomoedas, via um fundo em que era sócio limitado; mensagens sugerem planos de visitas à ilha de Epstein, mas não há confirmação oficial.
- Já era conhecido que Epstein doou pelo menos US$ 525 mil ao MIT Media Lab, que usou parte dos recursos para captar desenvolvedores do protocolo Bitcoin; Joichi Ito descreveu o movimento como “pegar o controle” dos desenvolvedores.
- Epsteins “redes de mídia” incluíram Masha Drokova e Maria Prusakova, ligadas a firmas de relações públicas de crypto; houve uso de conteúdos promocionais para favorecer investimentos em criptomoedas, com vínculos a veículos como Thrive Global, Forbes e The Next Web.
- Em 2014, Epstein financiou diretamente a Coinbase em US$ 3 milhões, via Fred Ehrsam; a exchange foi fundada com Brian Armstrong e, na época, valia cerca de US$ 400 milhões; hoje vale muito mais.
- A natureza aberta do Bitcoin dificulta mudanças unilaterais; há registros de Epstein discutindo direções de desenvolvimento com Iozzo, incluindo a ideia de reduzir a anonimidade, o que contrasta com a percepção de anonimato associada à criptomoeda.
Jeffrey Epstein esteve ligado ao mundo das criptomoedas, influenciando parte da cultura do Bitcoin e de projetos relacionados, segundo novos documentos divulgados. A reportagem analisa investimentos, redes de divulgação e relações com figuras-chave do setor, sem julgar intenções.
Entre 2014 e 2015 Epstein investiu na Blockstream, firma de desenvolvimento de criptomoedas liderada por Adam Back. A operação ocorreu via fundo em que Epstein era sócio. Emails indicam planos de visita à ilha Little St. James, em abril de 2014, com participantes ainda não confirmados pelas partes.
Back é pioneiro do movimento cypherpunk e teve papel na origem do Bitcoin. Além disso, Epstein financiou a MIT Media Lab, com pelo menos 525 mil dólares, recursos usados para trazer desenvolvedores do protocolo para o laboratório, segundo documentos públicos.
A imprensa aponta que Brock Pierce, ligado ao Bitcoin Foundation, teve papel na transição de controle dentro do Media Lab. O Foundation enfrentou ex-membros e alegações de abuso, levando à sua dissolução em poucos meses, momento em que o laboratório passou a centralizar desenvolvedores com o financiamento de Epstein.
Esferas de influência associadas a Epstein também aparecem em veículos de comunicação. Masha Drokova e Masha Prusakova teriam auxiliado na produção de peças de imprensa sobre Epstein, além de facilitar vínculos com empresas de criptomoedas e fundos de venture capital.
Drokova, que lidera a Day One VC, divulgou pedido de desculpas em 2021-2022 por sua relação com Epstein, dizendo ter feito apenas apresentações sem remuneração. Questionamentos sobre sua ligação com figuras russas permanecem, conforme os novos emails.
Prusakova coordenou atividades de relações públicas ligadas a criptoativos entre 2018 e 2020, com atuação em firmas de PR voltadas ao setor. Ela também participou de estudos jurídicos e investimentos, incluindo financiamentos de estudos para si mesma com recursos ligados a Epstein.
Outra linha do material mostra que Epstein financiou a Coinbase com 3 milhões de dólares, em 2014, quando a empresa ainda era jovem. Na época, havia interesse de executivos em encontros presenciais para formalizar o aporte, avaliado em 400 milhões de dólares. Hoje, a Coinbase vale muito mais, o que ampliaria o retorno do investimento de Epstein se mantido.
Analistas ressaltam que não houve cooptação unilateral de código do Bitcoin. A natureza open source dificulta mudanças sem apoio da comunidade. A criação de forks históricos ilustra a resistência a alterações isoladas de qualquer ator.
Os documentos também destacam discussões sobre a pseudonimidade do Bitcoin. Conversas com Vincenzo Iozzo trazem a ideia de reduzir a anonimidade, embora o registro público das transações torne a identificação de usuários possível com ferramentas especializadas.
O material levanta ainda a hipótese de uso de criptomoedas em atividades ligadas a Epstein, em meio a debates sobre privacidade, governança e alcance geopolítico de movimentos como o anti-woke. As informações apontam para uma rede complexa de relações entre Epstein, financiadores e veículos de comunicação.
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