- A WIRED analisou várias postagens e canais do Telegram oferecendo vagas de “modelos de IA” ou “modelos reais” para trabalhar em golpes, principalmente em Camboja e Sudeste asiático.
- As candidatas são, em sua maioria, jovens mulheres de diversas nacionalidades, e descrevem habilidades em idiomas como inglês, chinês, russo e turco para persuadir vítimas.
- As vagas costumam exigir longas jornadas, com relatos de até 100 a 150 videochamadas por dia, horários cansativos e condições descritas como duras.
- Entre as exigências, há envio diário de fotos, vídeos e mensagens de voz, além de manter passaporte sob gestão da empresa para emissão de vistos e permissões de trabalho.
- Especialistas destacam que, mesmo para modelos, há riscos de maus-tratos e assédio, e que muitos anúncios levantam sinais de golpe, como altos salários em regiões conhecidas por operações de golpe.
Poucos canais de Telegram estudados pela WIRED publicam anúncios de emprego para “modelos de IA” e “modelos reais”. A maioria das candidatas são jovens mulheres que acabam usadas para fraudes.
Segundo a análise, várias candidatas têm passaportes de países diferentes e relatam horários extenuantes. Algumas chegam a mencionar salários elevados, mas as descrições enfatizam trabalho diante de câmeras e chamadas de voz diárias.
Na prática, recrutadores apresentam atividades de deepfake e troca de faces para golpes envolvendo clientes norte-americanos. O uso de ferramentas de IA facilita chamadas de vídeo falsas para persuadir vítimas a investir ou entregar dinheiro.
Como operam os golpes
A WIRED identificou cerca de duas dúzias de canais no Telegram com anúncios de modelos de IA na região do Sudeste Asiático. As propostas costumam exigir envio diário de fotos, vídeos e áudios, com até 100 a 150 chamadas diárias.
Os anúncios geralmente não indicam quem contrata ou o destino do trabalho. Candidatos descrevem jornadas de até seis meses, com folgas mínimas, horários noturnos e preferência por sotaque ocidental. Passport fica retido com a empresa para vistos.
Muitos anunciantes solicitam vídeos curtos de apresentação, dados sobre experiência e fotografias, às vezes com estado civil e status de vacinação. Entre as mensagens, há referências a operações que capturam vítimas para engajar golpes de romance e criptomoedas.
Resposta e contexto
Especialistas dizem que o uso de IA para trocas de rosto vem aumentando entre criminosos. Centros de golpes no Sudeste Asiático teriam salas dedicadas a chamadas com deepfake. A plataforma Telegram informou que conteúdos que incentivem fraudes são removidos sempre que identificados.
Organizações anti-tráfego e pesquisadores apontam sinais de alerta: salários elevados para a região, foco em habilidades de chinês e localização próxima a hubs de fraude conhecidos. Técnicos ressaltam que algumas modelos podem ter maior liberdade, mas ainda enfrentam condições duras.
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