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Crime organizado infiltra eleições e troca cocaína por votos

Crime organizado invade eleições, financiando candidatos com recursos do tráfico; no Rio, 53 locais de votação foram deslocados em 2024 para evitar coação

Sadi Vieira se elegeu vereador em Timbé do Sul (SC) e foi condenado por corrupção eleitoral apenas no último mês de seu mandato, em 2024.
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  • Facções criminosas financiam candidatos com dinheiro obtido em tráfico e roubos; no Rio de Janeiro, 53 locais de votação foram alterados em 2024 para evitar coação aos eleitores, com previsão de mudanças em ao menos 20 zonas eleitorais para 2026.
  • O crime organizado infiltra o processo eleitoral de forma direta, envolvendo PCC, Comando Vermelho e milícias, que buscam influenciar votos e candidaturas.
  • O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) reforçou a proteção aos eleitores, destacando que o voto é secreto e que o sistema eletrônico é seguro, ainda que haja risco de coação física.
  • Em Timbé do Sul, Santa Catarina, houve investigação de tráfico de drogas que resultou em compra de votos com cocaína; um eleitor informou ter recebido a droga em troca da foto do título de eleitor, beneficiando o candidato Sadi Vieira, que foi eleito vereador e posteriormente condenado por corrupção eleitoral.
  • Investigar esses crimes é complexo porque atuam em círculos fechados; há risco de testemunhar devido ao medo, o que agrava a degradação de serviços públicos e reforça a necessidade de conscientização dos eleitores.

O crime organizado infiltra o processo eleitoral, financiando campanhas com recursos oriundos de tráfico e roubos. No Rio de Janeiro, 53 locais de votação tiveram o endereço alterado em 2024 para evitar coação de eleitores.

No estado, relatos de compra de votos ganham dimensão nacional, com investigadores destacando uma infiltração direta no pleito. Grupos como PCC, Comando Vermelho e milícias aparecem como financiadores de candidaturas, usando recursos ilícitos.

A avaliação é de que, além da compra de votos, há pressões para restringir a liberdade do eleitor na hora do voto. A procuradora Nathalia Mariel ressalta que o efeito vai além da corrupção, afetando a escolha de candidatos.

Coação e mudanças de locais no Rio

Em áreas sob controle criminoso, eleitores que vendem o voto podem sofrer retaliação. A gravidade do quadro levou o TRE-RJ a relocar 53 locais de votação em 2024 para proteger eleitores de ameaças.

A Justiça Eleitoral do Rio sinaliza que o voto é protegido pelo sistema eletrônico e pelo sigilo, mas aponta tentativas de constranger fisicamente eleitores durante a votação.

Casos como o de agentes estatais envolvidos ilustram a ligação entre crime organizado, candidatos e redes de poder paralelo, sem detalhar identidades específicas.

Casos no interior e evidências de pagamento com drogas

A infiltração não se restringe aos grandes centros. Em Timbé do Sul (SC), uma operação de tráfico revelou um esquema de compra de votos que chegou a usar cocaína como pagamento.

O policial responsável pela investigação descreve a operação como inédita em 15 anos de atuação. O material apreendido mostrou negociações em que títulos de eleitor foram trocados por moeda de droga.

O candidato beneficiado, identificado pela defesa como Sadi Vieira, foi eleito vereador e chegou a presidir a Câmara Municipal, tendo sido condenado por corrupção eleitoral no último mês do mandato em 2024.

Desafios e impactos na investigação

Promotores destacam a dificuldade de apurar crimes, que costumam ocorrer em círculos fechados e familiares, dificultando depoimentos seguros. O medo de testemunhar é citado como entrave principal.

Especialistas alertam que a corrupção eleitoral provoca degradação de serviços públicos, com consequências para remédios, educação e merenda. A conscientização do eleitor é apontada como fundamental para usos legítimos do voto.

Alguns eleitores que aceitaram trocas relatam arrependimento, citando desconforto e impactos posteriores. Em Santa Catarina, um condenado reconheceu o desconforto causado pela decisão.

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