- Investigação exclusiva liga associadas ao projeto AB Digital Technology Resort, em Timor-Leste, a promotor de luxo e a uma rede ligada ao Prince Group, multibilionário grupo acusado de fraude e tráfico humano.
- Em fevereiro, equipe encontrou o site proposto do resort em Timor-Leste, próximo ao aeroporto de Dili, vazio e cercado por arame farpado; material promocional sugeria promessa de villas e hospitalidade de alto padrão.
- O Prince Group foi sancionado pelo Tesouro dos Estados Unidos em outubro do ano passado por operações de golpe online e lavagem de dinheiro; três associados teriam atuado no Timor-Leste, mas já foram removidos do projeto.
- O empreendimento envolve várias entidades AB (DAO, Foundation e AB Foundation Ireland; Cayman Islands), com promessas de participação de lucros e promoções de desenvolvimento econômico, que foram removidas ou desativadas desde as perguntas da reportagem.
- O presidente de Timor-Leste expressou ceticismo sobre o projeto, destacando dúvidas sobre planos reais e destacando a importância de evitar que o país seja explorado por criminosos transnacionais.
Otimista sobre turismo, Timor-Leste aparece como cenário de um projeto de resort digital ligado a uma rede de criptomoedas. O terreno prometia villas à beira do mar e um resort de tecnologia de ponta, com doações prometidas a causas filantrópicas.
Em fevereiro, uma equipe conjunta de investigação visitou o local em Tasi Tolu, próximo ao aeroporto de Dili, e encontrou apenas um lote vazio cercado por arame farpado. O AB Digital Technology Resort já havia sido promovido no ano anterior.
A apuração aponta ligações entre três envolvidos no projeto e o Prince Group, visto como uma rede transnacional acusada de golpes financeiros, tráfico de pessoas e escravidão. Os três nomes não são mais vinculados ao empreendimento.
Conexões internacionais
A investigação aponta que Prince Group enfrentou sanções do Tesouro dos EUA no ano passado, com o fundador Chen Zhi sendo indiciado por conspiração de lavagem de dinheiro e fraude. A empresa é alvo de ações que descrevem operações de fraude cibernética em larga escala.
Outros indivíduos ligados ao projeto foram removidos ou não respondem a pedidos de comentário. Um empresário estrangeiro, que promovia o AB Foundation, afirmou não ter envolvimento com crimes ou com o Prince Group, e disse ter retirado o suporte ao projeto após as sanções.
O ecossistema AB é composto por diversas entidades, entre elas AB DAO e AB Chain, que não são pessoas jurídicas. Uma fundação na Irlanda e outra nas Ilhas Cayman também aparecem nos documentos, com acordos que teriam previsto repasses de 5% a 10% dos lucros para fins beneficentes, porém o acordo foi cancelado.
Situação em Timor-Leste
O terreno costeiro permanece em branco, com apenas crianças brincando em uma área de terra batida. O presidente de Timor-Leste já manifestou ceticismo quanto ao projeto, dizendo que não houve planos concretos apresentados e que a iniciativa parecia improvável de prosseguir.
O chefe de Estado descreveu as promessas feitas como infundadas e ressaltou a necessidade de cumprir a lei e combater atividades criminosas. Autoridades locais afirmam que, desde o início, o projeto enfrentou dúvidas sobre sua viabilidade e finalidade.
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