- A liquidação do Banco Pleno, ligada ao empresário Augusto “Guga” Lima e ao ex-sócio Daniel Vorcaro, reacende investigações sobre o crédito consignado do grupo Master na Bahia.
- O Credcesta, cartão consignado para servidores públicos baianos, ganhou impulso a partir de 2018 e foi levado ao Banco Master por meio de parceria com Lima e Vorcaro, após o Banco Voiter.
- A CPI do INSS já abriu requerimentos de depoimento e quebras de sigilo de Lima e Vorcaro; o envio de dados sigilosos do banco à Polícia Federal foi autorizado pelo STF.
- Documentos mostram que o decreto estadual de 2017-2018 elevou a rentabilidade do Credcesta, ampliando margens e o desconto para servidores.
- Especialistas alertam para um modelo concentrado em crédito consignado e no uso do Fundo Garantidor de Créditos, com projeção de pagamentos bilionários pelo Master e pelo Pleno.
A liquidação do Banco Pleno, controlado por Augusto “Guga” Lima, reacende o olhar sobre o crédito consignado do grupo ligado ao Banco Master. O tema ganha relevância diante de decisões administrativas sob governos petistas na Bahia, agora sob avaliação de investigações em curso.
Lima figura como foco de investigações no Planalto ligadas ao Master, em torno da operação do Credcesta, cartão consignado para servidores baianos. A apuração envolve a CPI do INSS, com pedidos de depoimento e quebra de sigilos em andamento.
A operação de 2018, na gestão de Rui Costa, é apontada como marco. Em 2019, Credcesta foi incorporado ao Master por meio do Banco Voiter, posteriormente renomeado Banco Pleno.
Contexto financeiro e evidências
A liquidação ocorre enquanto Lima acumula sete requerimentos na CPI do INSS para depoimento e quebras de sigilo fiscal e bancário, ainda sob análise. Parlamentares apontam papel central dele no crédito vinculado ao Master.
Vorcaro integra a mesma linha de fiscalização: desde 2025, a comissão aprovou convocações e quebras de sigilos no escopo do caso Master, com pelo menos 59 pedidos relacionados ao tema.
O processo envolve ainda a liberação de dados sigilosos do banco à CPI, autorizado pelo STF, fortalecendo a apuração segundo o relator Alfredo Gaspar. A defesa de Lima sustenta que não houve envolvimento em irregularidades.
Origem do Credcesta e relação com o PT
O Credcesta nasce a partir da empresa Baiana de Alimentos, estatal por trás da rede Cesta do Povo. Ardilosamente, o governo baiano realizou leilões para vender a estatal sem interessados, levando Lima a incluir o cartão consignado para cerca de 400 mil servidores.
Wagner, então secretário de Desenvolvimento, foi apontado pela reportagem como operador da negociação, mas o ex-secretário nega envolvimento em irregularidades. O Decreto 18.353 ampliou margens de crédito para o programa.
Expansão e modelo de negócio
O Credcesta foi contratado com o Master por 25 milhões de reais, com Vorcaro adquirindo metade do ativo. O banco passou a operar o cartão por meio do Banco Voiter, ligado ao grupo. Em 2022, decreto estadual restringiu a portabilidade de contratos vinculados ao Credcesta.
A expansão levou Lima a tornar o Banco Pleno um polo de consignados, com atuação em 24 estados e 176 municípios. A atuação contou com a participação de fundos de investimento.
Desafios regulatórios e impactos
O BC autorizou a operação do Banco Pleno em 2025, num ritmo rápido, em meio a turbulências envolvendo o Master. Posteriormente, operações passaram a ser alvo de investigações por fraudes em carteiras vendidas ao BRB.
Especialistas indicam que o modelo, apoiado pelo FGC, enfrentou teto de crescimento do crédito consignado e desequilíbrios entre ativos e captação. A cada movimento, houve impacto na liquidez do conglomerado.
Estimativas e desdobramentos
Analistas estimam que o FGC terá de pagar bilhões aos credores do Master e do Pleno. O saneamento financeiro envolvendo as liquidações pode consumir parcela relevante do patrimônio do fundo, com impactos para o mercado.
A reportagem solicitou posicionamentos do BC, de Jaques Wagner e de Rui Costa, sem retorno até o fechamento. As autoridades continuam a acompanhar as mudanças no cenário da Bahia e do setor de consignados.
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