- O texto compara a corrida pela IA entre Estados Unidos e China, destacando que a difusão global de IA pode ser tão decisiva quanto a inovação de fronteira.
- Atualmente, os EUA lideram em infraestrutura de IA, serviços em nuvem e número de modelos avançados, mas a China avança com redes nacionais e ecossistemas abertos que favorecem implantação internacional.
- A solução proposta é ampliar uma estratégia de adoção global da “pilha de IA” norte-americana, indo além da inovação para difusão e governança de IA com salvaguardas.
- Sugere-se criar a Global Empowerment Network for Accountable AI, liderada pela Casa Branca e com participação conjunta do comércio e do desenvolvimento externo, começando por acordos com alguns países estratégicos.
- Cada pacto universitário deve combinar tecnologia de ponta com incentivos (financiamento de data centers, acesso a modelos de ponta, apoio em cibersegurança) e controle para evitar dependência de um único fornecedor, promovendo autonomia local, transparência e ganhos mútuos.
A competição em IA entre Washington e Pequim não é apenas uma corrida de alcance tecnológico, mas um debate sobre como difundir capacidades. EUA buscam IA geral e transformação societal; China avança em capacidades eficientes, integradas globalmente. A difusão, não apenas a invenção, pode decidir o favoritismo global.
Embora os EUA liderem guias de inovação, o domínio depende também da adoção mundial das camadas tecnológicas que compõem o stack de IA, desde infraestrutura até aplicações. Se o país focar apenas em benchmarks, pode inovar, mas perder influência sobre onde e como a IA é usada.
Para ganhar, os EUA precisam combinar vantagem em pesquisa de ponta com uma estratégia de difusão global do seu stack de IA, promovendo abertura, salvaguardas e responsabilidade. Um programa bem executado pode melhorar a reputação de direitos e governança.
Atualmente, EUA ainda fornecem grande parte do stack global. Nvidia domina unidades de processamento; AWS, Azure e Google Cloud controlam boa parte da infraestrutura em nuvem; e laboratórios norte-americanos produziram 40 modelos em 2024, ante 15 da China. A liderança pode diminuir sem estratégia de difusão.
A China avança com investimentos internos em chips e no ecossistema Qwen aberto, ampliando a difusão de IA. Modelos de menor exigência computacional, como o DeepSeek, provocaram ondas no setor, com avaliações de alto valor de mercado.
Entretanto, vazamentos e acusações de espionagem indicam vulnerabilidade na ponta americana. Enquanto Pequim prepara a fusão entre capacidades de fronteira e difusão, Washington não tem um plano claro para incentivar adoção em geografias estratégicas.
As políticas públicas dos EUA já começaram a mudar. A administração Biden manteve o CHIPS Act e destacou IA, segurança e direitos como elementos da competição global. Em paralelo, ordens executivas de 2025 promoveram exportação do stack americano como contrapeso a China.
A difusão ampla exige um modelo organizado, com participação de governo, empresas, universidades e agências de financiamento. Propõe-se criar a Global Empowerment Network for Accountable AI, liderada pela Casa Branca e co-liderada pelo Comércio e Relações Exteriores.
Essa rede começaria com acordos com alguns países onde a tecnologia já está bem implantada, incluindo parceiros no Sudeste Asiático e no Golfo. O objetivo é ampliar capacidades de IA com tecnologia norte-americana, mantendo controle para evitar dependência de um único fornecedor.
Entre as condições, estariam contratos que unam oferta de tecnologia com incentivos, como financiamentos para data centers, acesso a modelos de ponta e apoio de cibersegurança. Critérios seriam adaptados a cada país, com exemplos como desenvolvimento de previsões de safra no Quênia ou modernização aduaneira nas Filipinas.
A ideia é diferenciar a proposta por meio de termos transparentes e salvaguardas de privacidade, liberdade de expressão e autonomia local. Um desenho que permita governança compartilhada, sem censura excessiva ou vigilância massiva.
O programa também deve considerar lições de finanças de desenvolvimento: benefícios para ambas as partes, participação local na definição de problemas e construção institucional. O conteúdo dos acordos incluiria compras, treinamento, parcerias de pesquisa e intercâmbio entre docentes e gestores públicos.
Para cidadãos comuns, a proposta não depende apenas de ganhos para empresas. Um acordo explícito poderia criar empregos, treinamento técnico e capacidades públicas. Uma força-tarefa de especialistas pode trabalhar com parceiros para resolver problemas de implementação e trazer lições para casa.
Além de reconstruir reputação, a estratégia pode oferecer contrapesos à eficiência chinesa. Países podem ver a IA como ferramenta para tornar democracias mais ágeis, desde que haja capital humano local, governança aberta e oportunidades de desenvolvimento sem recondução a práticas autoritárias.
A próxima administração poderá fazer da adoção global de IA um pilar da política econômica. Combinando tecnologia de ponta, financiamento, treinamento, cibersegurança e salvaguardas, Washington pode ampliar exportações, reduzir dependência de infraestrutura chinesa e fortalecer o poder suave.
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