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Data centers no espaço: aposta de US$ 800 bilhões pode fracassar

Data centers em órbita prometem explorar energia solar, porém obstáculos de refrigeração, radiação e custo comprometem a viabilidade comercial

SpaceX: empresa fez IPO neste mês (CRISTOBAL HERRERA/EFE)
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  • SpaceX pretende construir data centers de inteligência artificial em órbita, numa aposta que já envolve um IPO recorde da empresa e interesse de outros gigantes como Google, OpenAI e Salesforce.
  • Desafios técnicos permanecem grandes: energia solar é viável no espaço, mas a refrigeração e a gestão de calor exigem radiadores enormes e infraestrutura robusta, além de riscos de radiação e detritos.
  • Um data center orbital de 1 megawatt exigiria cerca de 980 metros quadrados de área de radiadores; a capacidade de um satélite de ai1 Compute Satellite seria de 100 a 1.000 vezes menor que a de data centers terrestres.
  • Aplicações mais viáveis no curto prazo são aquelas que já operam no espaço ou exigem dados de observação da Terra, dados militares ou ciência de missões espaciais, com latência orbital ainda um limitador para usos sensíveis.
  • Google trabalha no Project Suncatcher para criar uma “nuvem orbital de IA” com satélites alimentados a energia solar, enquanto a China já sinaliza planos de data centers espaciais; estudo prevê mercado entre US$ 11,3 bilhões até 2030 e até US$ 41 bilhões até 2035.

A SpaceX planeja construir data centers de inteligência artificial em órbita, uma aposta que envolve gigantes da tecnologia e analistas de mercado. O objetivo é sustentar a expansão da IA, reduzindo gargalos de energia, refrigeração e latência, segundo avaliação de especialistas.

Especialistas em engenharia de data centers destacam entraves técnicos no uso do vácuo espacial. Lançar satélites com capacidade computacional não equivale a operar infraestrutura em escala industrial fora da Terra, dizem em análise publicada no The Conversation.

A atratividade está na energia solar contínua e na ausência de dependência de redes terrestres. Investidores veem a SpaceX, Google, OpenAI e Salesforce como referências nessa linha, conectando foguetes a um ecossistema orbital.

O que sustenta a aposta

Um data center terrestre requer energia, refrigeração e infraestrutura física. Em órbita, a energia viria de painéis solares, com a refrigeração dependente de radiadores em ambiente de frio extremo, mas sem fluxo de ar para dissipar calor.

A vantagem de radiadores eficientes esbarra na necessidade de dissipação por radiação infravermelha, o que demanda áreas amplas. Um centro orbital de 1 megawatt, por exemplo, exigiria quase 980 m² de radiadores, segundo estimativas técnicas.

Desafios práticos e operacionais

A manutenção representa um obstáculo significativo. Substituições de hardware a cada três a cinco anos são comuns na Terra, porém difíceis e caras no espaço. Qualquer falha pode acelerar a obsolescência da plataforma, afetando o retorno financeiro.

A radiação, variações de temperatura e detritos orbitais aumentam o risco de dano a componentes. A órbita baixa já concentra cerca de 10 mil satélites ativos e o mesmo volume de detritos, elevando a probabilidade de colisões.

Progresso e limites da viabilidade

A SpaceX já apresentou o design do satélite AI1 Compute Satellite, voltado a funcionar como data center orbital. Contudo, especialistas apontam que sua capacidade seria 100 a 1.000 vezes menor que a de data centers terrestres, evidenciando o desafio de escala.

A aplicação prática está em áreas menos sensíveis à latência, como processamento de dados de observação da Terra, dados militares e apoio a missões espaciais. A execução próxima ao usuário humano ainda enfrentaria atraso orbital.

Competidores e horizontes de mercado

O Google avalia pesquisas por meio do Project Suncatcher, conectando satélites movidos a energia solar com TPUs para uma nuvem orbital de IA, com protótipo previsto para 2027 em parceria com a Planet Labs. A China também projeta data centers no espaço nos próximos cinco anos, conforme veículos oficiais.

Estimativas de mercado divergem, mas apontam uma faixa de US$ 11,3 bilhões até 2030 e até US$ 41 bilhões até 2035 para o turismo de data centers espaciais, segundo a Research and Markets. Esses números ajudam a entender o interesse de grandes empresas na iniciativa, ainda que permaneçam desafios para a viabilidade comercial.

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