- A Skydio é a maior fabricante de drones dos EUA e atua principalmente no mercado enterprise, com clientes em segurança pública, utilities, energia, construção e transporte, que utilizam drones para inspeções críticas.
- A empresa migrou do foco em drones de consumo para soluções corporativas e governamentais, combinando hardware com software, automação e fluxos de trabalho para ampliar impactos.
- A produção ocorre totalmente nos Estados Unidos desde 2016-2017; a companhia anunciou investimento de 3,5 bilhões de dólares para ampliar manufactura doméstica e criar cerca de 2 mil empregos, com uma nova fábrica.
- O fundador e CEO, Adam Bry, enfatiza a sinergia entre hardware e IA, com avanços em autonomia e visão computacional, destacando aplicações como o X10, o F10 e operações dock-based para maior escala.
- Em relação a política e ética, Bry defende que decisões militares devem ficar com autoridades eleitas e destaca a transparência no uso policial via o painel de transparência; reconhece preocupações de privacidade, defendendo uso direcionado, responsabilização e processos democráticos.
Adam Bry, CEO e cofundador da Skydio, concedeu uma entrevista sobre o estado atual dos drones autônomos, a posição da empresa diante de políticas, e os rumos da manufatura nos EUA. O diálogo, realizado para o podcast Decoder, abordou ainda o protagonismo de setores como utilidades, energia e segurança.
Bry explicou que a Skydio é a maior fabricante de drones nos EUA, com foco em plataformas sensoriais móveis para usos críticos. A empresa, fundada em 2014, atende setores públicos, militares, utilidades, construção e transporte, buscando integração completa de hardware, software e fluxos de trabalho.
O executivo detalhou a transição da empresa do consumidor para o mercado corporativo, iniciada em 2020, e justificou a decisão pela oportunidade de impacto em segurança, eficiência e resgate. Segundo ele, o crescimento do hardware é acompanhado por avanços em IA e automação.
Substituição de componentes e produção doméstica
Bry afirmou que a fabricação ocorre nos EUA desde 2016-2017, após pressões de mercado e dilemas de custo. A companhia planeja investir cerca de 3,5 bilhões de dólares na expansão de fábrica nacional, com fornecedores locais, para ampliar a capacidade de produção.
Sobre a dependência de fornecedores, o CEO informou que houve redução de dependência de China, com a maioria dos componentes críticos já fora do país. Batteries e certos itens passaram por redesenho de suprimento, enquanto itens de segunda e terceira camada ainda apresentam complexidade de rastreabilidade.
Autonomia, IA e limites
A entrevista enfatizou o avanço da autonomia dos drones, com visão computacional embarcada desde 2017-2018 para melhorar desempenho sem depender apenas de GPS. Bry ressaltou que a autonomia continua em evolução, com uso crescente em resposta a emergências 911 e operações de fiscalização em infraestrutura crítica.
No contexto de uso governamental e militar, Bry repetiu a defesa de uma abordagem de responsabilidade compartilhada, destacando que decisões sobre aplicações letais devem caber a governos e forças armadas. A empresa oferece uma plataforma de sensores com foco em ISR (inteligência, vigilância e reconhecimento).
Transparência, privacidade e sociedade
O CEO comentou a existência de um Painel de Transparência para operações de público, incluindo o mapeamento da área de atuação das câmeras. Segundo ele, o objetivo é favorecer o escrutínio público e melhorar a confiabilidade, embora reconheça que a privacidade é uma preocupação legítima.
Sobre o papel da empresa na democracia local, Bry afirmou que contratos para uso policial costumam exigir aprovação municipal, e que debates públicos ajudam a moldar o desenvolvimento de produtos. A Skydio sustenta que a aplicação é de benefício público quando bem gerida.
Mercado global e competição
Bry declarou que a maior parte das operações ainda ocorre nos EUA, com atuação em Canadá, Japão e outros mercados, enfrentando a DJI principalmente na frente de drones dockeados e operação autônoma. A Skydio aposta em soluções integradas para vencer em contratos de infraestrutura crítica.
Quanto às referências a ecossistemas de manufatura, Bry reconheceu que a ausência de uma cadeia semelhante à de Shenzhen não é uma lei da física, defendendo a construção de uma base industrial robusta nos EUA. O executivo também avaliou cenários globais de competição, destacando ser necessário manter padrões elevados de qualidade e inovação.
Entre na conversa da comunidade