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Bionematicidas redefinem a produtividade no agronegócio brasileiro

Prejuízos com nematoides passam de R$ 65 bilhões por ano; bionematicidas passam a ser pilar de rentabilidade e resiliência no agro

Colheitadeiras avançam durante safra de soja no interior de Mato Grosso
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  • Estima-se que os prejuízos causados por nematoides no Brasil ultrapassem R$ 65 bilhões por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Nematologia.
  • Nematoides são microrganismos do solo que perfuram raízes e prejudicam a absorção de água e nutrientes, reduzindo a produtividade.
  • O manejo tradicional era químico e reativo; hoje o solo é visto como sistema biológico ativo, com os bionematicidas ganhando papel estratégico.
  • Dados da CropLife Brasil apontam expansão de 16 milhões de hectares no uso de bionematicidas entre 2024 e 2025.
  • O objetivo é construir um ambiente rizosférico estável, reduzindo a dependência de insumos e integrando práticas de manejo sustentável.

Na agricultura brasileira, o controle biológico de nematoides ganha relevância crescente por impactar a rentabilidade do produtor. Estimativas indicam prejuízos superiores a R$ 65 bilhões por ano, pois esses organismos afetam o sistema radicular das plantas.

Os nematoides são microrganismos do solo que, apesar de alguns auxiliarem o equilíbrio biológico, podem invadir raízes, desviar nutrientes e criar lesões que reduzem a absorção de água e nutrientes. Esses danos ocorrem especialmente em solos fragilizados.

Espécies como Meloidogyne spp., Pratylenchus brachyurus e Heterodera glycines estão amplamente distribuídas. Quando há estresse hídrico, compactação e baixa qualidade biológica do solo, os danos aumentam e prejudicam a produtividade.

O manejo tradicional era majoritariamente químico e reativo, entrando após o dano. Essa abordagem mostrava limites para restabelecer o equilíbrio do sistema e reduzir perdas.

A mudança em curso reconhece o solo como sistema biológico ativo. O uso de bionematicidas passa a compor estratégias de manejo, buscando reorganizar a rizosfera e criar ambiente mais estável para as culturas.

Os bionematicidas atuam competindo por espaço, gerando metabólitos e estimulando o crescimento radicular. Eles ajudam a construir uma dinâmica biológica mais estável ao longo do ciclo da cultura.

Segundo dados da CropLife Brasil, houve expansão de 16 milhões de hectares no uso de bionematicidas entre 2024 e 2025, comprovando a adoção crescente e a maturidade do mercado no âmbito de manejo sustentável.

Essa evolução transforma o solo em ativo biológico estratégico. Áreas com alta pressão de nematoides apresentam maior risco de perda de rentabilidade, elevando a dependência de insumos em solos menos férteis.

Ao incorporar os bionematicidas, o produtor não atua apenas na correção, mas na construção de um sistema mais estável, previsível e resiliente ao longo do tempo. A prática passa a integrar a preservação do potencial produtivo.

Talita Cury, empresária e conselheira do Grupo Santa Clara, integra o debate ao defender modelos que conectam inovação ao planejamento estratégico e à ESG. Autora de artigos sobre gestão no agronegócio, ela representa a visão de liderança feminina no setor.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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