- Pesquisadores do MIT desenvolveram um processo de baixo custo e baixa temperatura para extrair lítio de rochas específicas, usando uma solução de água e fluoreto de amônio para dissolver a silicea primeiro.
- O método gera, além do lítio adequado para baterias, alumina de nível de smelter e sílica pronta para cimentação, com reciclabilidade da solução e do reagente, reduzindo resíduos para próximo de zero.
- A produção em circuito fechado tende a custar metade do método tradicional de extração de lítio de rocha dura e pode tornar a extração competitiva com a de lítio de salmita.
- O estudo, publicado na revista Science, já originou a spinout Rock Zero, com planos de levar a tecnologia ao mercado.
- Os pesquisadores destacam o potencial de ampliar a produção global de lítio até 2040, alinhando-se à tendência de maior produção doméstica de minerais críticos.
A equipe de pesquisadores do MIT, com participação de instituições parceiras, desenvolveu um método de baixo custo para extrair lítio de rochas ígneas. O processo opera em temperatura ambiente e visa obter lítio de forma mais eficiente, reduzindo resíduos. O estudo foi publicado hoje na revista Science e já resultou na spin-off Rock Zero, visando a comercialização da tecnologia.
Segundo os autores, a técnica utiliza um reagente líquido para dissolver o mineral spodomênio e liberar lítio, alumínio e sílica em formas utilizáveis. O sistema favorece a recuperação do solvente e do reagente, aproximando-se de um ciclo fechado com resíduos próximos de zero.
O grupo mostra que o método produz sais de lítio adequados para baterias, além de sílica para adição a cimento e alumínio de grau metalúrgico. Os pesquisadores destacam que o processo pode dissolver spodumênio a temperatura ambiente, superando etapas de aquecimento intenso presentes em métodos tradicionais.
Avanços técnicos
A estratégia baseia-se na dissolução do sílico por meio de uma mistura de água e fluoreto de amônio. Esse approach permite separar o lítio, o alumínio e a sílica, com etapas adicionais para gerar o LiF, LiOH e Li2CO3. A sílica, inicialmente em solução, pode ser precipitada novamente para formar o reagente inicial, fechando o ciclo.
Foram testadas 17 fontes de rocha de spodomênio, demonstrando a aplicação do método em diferentes origens geológicas. A pesquisa também avaliou a pureza necessária para cada produto final, com foco em padrões de mercado para lithium carbonate e outros sais de lítio usados em baterias.
Perspectivas comerciais
Depois das etapas de laboratório, a equipe avaliou a viabilidade econômica e de mercado. O cálculo inicial indica que o processo fechado pode custar metade do necessário com a extração tradicional de rocha dura e competir com a extração de lítio de lagoas salinas. A análise considerou volumes de reagentes, energia e equipamentos, além de co-produtos.
A iniciativa de comercialização é conduzida pela Rock Zero, vinculada ao MIT e situada no The Engine. O estudo contou com apoio de agências como ARPA-E, MIT Climate Grant Challenges e NSF, além do uso das instalações MIT.nano. Os autores ressaltam que a tecnologia pode acelerar a produção global de lítio, contribuindo para a transição energética.
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