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Pesquisador do Google afirma que IA nunca será consciente

Neurocientista da DeepMind afirma que IAs nunca serão conscientes; consciência exigiria processos físicos, não apenas sintaxe

Circuito eletrônico azul e branco formando um cérebro, com as letras "AI" coloridas no centro, representando inteligência artificial
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  • O neurocientista Alexander Lerchner, da DeepMind, afirma que IAs jamais serão conscientes e que a consciência depende de processos físicos do cérebro, não apenas de lógica ou sintaxe.
  • Ele rejeita a “falácia da abstração” e o argumento de “comportamento emergente” de algumas empresas de IA, que dizem que a consciência surgiria com complexidade suficiente.
  • Segundo Lerchner, sistemas artificiais analisam padrões e geram respostas estatísticas, sem raciocínio real ou compreensão.
  • Uma possibilidade ainda inviável seria o conectoma, mapeando neurônios e conexões para tentar simular o funcionamento físico do cérebro, em vez de apenas sua arquitetura sintática.
  • Em testes, o supercomputador Fugaku simulou o córtex cerebral de um rato com 9 milhões de neurônios, executando 400 quatrilhões de operações por segundo, consumindo 30 milhões de watts e levando 32 segundos para cada segundo de atividade simulada.

Nos últimos anos, o avanço da IA reacendeu a discussão sobre uma possível inteligência artificial geral (AGI). Pesquisadores insistem que a mente humana ainda não foi reproduzida de forma compreensível, e que a consciência não é simples de simular.

Um artigo assinado pelo neurocientista Alexander Lerchner, da divisão Google DeepMind, sustenta que IAs jamais poderão ser conscientes. O estudo contraria o discurso de alta cúpula da empresa, que aponta para a possível chegada da AGI em cerca de uma década.

Para Lerchner, a ausência de consciência decorre da chamada “falácia da abstração”: não basta reproduzir a lógica; é preciso replicar os processos físicos que geram a consciência. Em chatbots, ele diz, o sistema analisa padrões e responde de forma estatística, sem pensamento real.

Segundo o pesquisador, a natureza de uma eventual consciência dependeria da constituição física do sistema, não apenas de sua arquitetura sintática. IAs atuais seriam apenas mecanismos de manipulação de símbolos, sem raciocínio genuíno.

O argumento contrapõe a ideia do “comportamento emergente”: sistemas complexos poderiam, em teoria, desenvolver a consciência sozinhos. Lerchner afirma que isso não ocorre porque a consciência não deriva da sintaxe, mas da matéria que a sustenta.

Como alternativa, o conectoma é citado como possibilidade: mapear conexões neurais para tentar reproduzir a estrutura física do cérebro. Mesmo assim, a tarefa não resolve como a mente produz a experiência consciente.

Estudos já detalharam conectomas em organismos simples, como o C. elegans e a mosca D. melanogaster, muito aquém da complexidade humana. O cérebro humano abriga cerca de 86 bilhões de neurônios e 100 trilhões de conexões.

Recentemente, pesquisadores usaram o supercomputador Fugaku para simular o córtex cerebral de um rato, com 9 milhões de neurônios. O equipamento opera com 7,6 milhões de núcleos, executando 400 quatrilhões de operações por segundo.

A simulação consumiu energia equivalente a 30 milhões de watts e não foi capaz de rodar em tempo real: cada segundo de atividade cerebral foi reproduzido em 32 segundos. A experiência ilustra os desafios de duplicar a função cerebral.

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