- No Brasil, 61,1% das organizações governamentais não utilizam IA soberana, mas 12 a 18 meses de investimentos estão previstos; globalmente, a média é de 60,5%.
- A adoção já em estágio experimental é de 25% no Brasil, acima da média mundial de 20,5%.
- O percentual de investimentos significativos em IA soberana no Brasil é de 8,3%, bem abaixo dos 15,5% globais.
- Principais entraves listados: infraestrutura, segurança, conformidade regulatória e escassez de profissionais qualificados; o Brasil registra maior preocupação com custos locais e governança.
- Entre os objetivos, destaca-se a busca por maior controle de dados e segurança nacional; 44,4% desejam reduzir dependência de fornecedores estrangeiros e preservar identidade cultural e linguística (41,7%).
A adoção de IA no Brasil avança com foco em soberania tecnológica. Mais de 60% das organizações brasileiras planejam investir em IA soberana no próximo ano, segundo estudo da IDC patrocinado pela Dell Technologies. Dados foram coletados com tomadores de decisão de TI de seis países.
A pesquisa, realizada no quarto trimestre de 2025, aponta que o Brasil está em fase experimental avançada, com 25% das organizações testando IA soberana no país, acima da média global de 20,5%. O estudo envolve órgãos governamentais e entidades públicas.
O PBIA 2024-2028, com aporte de 23 bilhões de reais, orienta o caminho para transformação pública via IA. O lançamento comercial da plataforma SoberanIA, em Brasília, consolida a estratégia brasileira para infraestrutura, dados e models treinados no país.
Em que pé está a adoção por organizações públicas brasileiras
No Brasil, 61,1% das organizações governamentais não utilizam IA soberana, mas projetam investimentos nos próximos 12 a 18 meses. A média global fica em 60,5%, refletindo abertura para novas tecnologias.
Apenas 8,3% dos respondentes brasileiros afirmam investir significativamente hoje, ante 15,5% globalmente. A principal preocupação envolve infraestrutura, segurança e conformidade regulatória, diante de regras ainda em evolução.
Ao mesmo tempo, 41,7% mencionam custos elevados de infraestrutura local, maior que a média global de 31,4%. Também houve resistência maior do Brasil, com 27,8% contra 22,1% no mundo, ligada à percepção de complexidade e risco.
O estudo mostra ainda que 52,8% apontam a complexidade tecnológica e a ausência de suporte como dificuldades, destacando a necessidade de equipes especializadas e de projetos escaláveis.
A crise de escassez de profissionais capacitados
A escassez de profissionais de TI qualificados é um obstáculo global para a implementação de IA soberana. No Brasil, 55,4% mencionam a falta de talentos, acima da média mundial de 41,9%.
No país, 44,4% citam dificuldade de aquisição de talentos em IA soberana, e 36,1% apontam problemas de qualidade de dados. A capacitação em áreas como IA, cibersegurança e governança é apontada como prioridade.
Especialistas em cibersegurança aparecem como os mais difíceis de contratar (75%), seguidos por dificuldades com Zero Trust (58,3%) e arquitetura de nuvem soberana (44,4%). Profissionais de IA generativa são citados por 41,7%.
Autonomia em IA e redução da dependência externa
A Dell ressalta que o Brasil ainda depende de fornecedores estrangeiros em infraestrutura e conhecimento técnico. Ao mesmo tempo, cresce a ideia de controlar sistemas críticos com base local para dados sensíveis.
44,4% das organizações brasileiras apontam como meta reduzir a dependência de tecnologia externa, uma das maiores diferenças em relação ao cenário global (28,3%). Também há foco na proteção de bases de dados nacionais (30%).
Para avançar, é enfatizada a necessidade de infraestrutura local robusta, formação de talentos, ecossistemas de inovação e regras claras de governança. Parcerias público-privadas são vistas como estratégicas para ampliar capacitação.
Preservação cultural e linguística
A soberania de IA é associada à adaptação do software ao português do Brasil e à realidade local. O estudo aponta que 41,7% das organizações valorizam preservação cultural e linguística, acima da média global (33,7%).
A colaboração entre setor público e privado é vista como caminho para desenvolver ecossistemas de IA soberana. Entre os principais obstáculos estão compartilhamento de dados, falta de marcos regulatórios e preocupações com stakeholders.
Adoção de IA agêntica pelo setor público
No Brasil, 44,4% planejam investir em IA agêntica nos próximos 12 a 18 meses, enquanto 50% das organizações não têm planos de investir nesse estágio. A resistência é atribuída à percepção de estágio inicial e a maiores exigências de governança e supervisão.
A Dell aponta que casos de uso menores e bem monitorados, aliados a governança eficaz, podem abrir espaço para avanços rápidos. Parcerias públicas e privadas são vistas como fundamentais para ampliar domínio técnico.
Retorno esperado
Globalmente, o principal benefício é o maior controle sobre dados residenciais e estratégicos. No Brasil, a segurança nacional aparece como prioridade máxima, com 63,9% das organizações citando proteção de infraestrutura crítica e segurança pública.
Outros ganhos esperados incluem criação de empregos, maior produtividade e vantagem competitiva. A área de operações de TI é apontada por 55,6% dos brasileiros como foco de adoção, abaixo da média global.
Em síntese, o Brasil aponta para construção de capacidades nacionais em IA, com ênfase em governança, talent acquisition e parcerias. O objetivo é reduzir dependência externa e ampliar o controle sobre dados sensíveis.
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