- HavocAI, startup de Providence, desenvolve software para barcos-drone Rampage de 14 pés, buscando operar enxames controlados por GPUs e dedicar-se principalmente ao software, não ao hardware.
- A empresa, fundada por ex-marinhas americanas, levantou US$ 100 milhões em Série A, elevando o total arrecadado para quase US$ 200 milhões.
- Enfrenta rivais como a Saronic Technologies (US$ 1,75 bilhão levantados; avaliação da empresa em cerca de US$ 9,25 bilhões), enquanto a Havoc tem estimativa não confirmada, considerada “um pouco acima” de US$ 784 milhões.
- Já entregou 32 barcos-drone e drones aéreos; a 1ª Divisão de Cavalaria do Exército americano treina com os quadricópteros da Havoc; a estratégia é vender o software, com fabricação terceirizada dos barcos.
- A Havoc aposta em nicho específico de comando de drones autônomos e vê risco de consolidação com gigantes como Anduril, defendendo que seu diferencial é a simplicidade e a facilidade de uso do software.
Em Rhode Island, nos EUA, uma startup de barcos autônomos está atraindo atenção de militares e investidores. A HavocAI, criada por dois ex-militares da Marinha, desenvolve software que permite controlar milhares de embarcações não tripuladas a partir de um único operador. O objetivo é oferecer tecnologia de ponta com foco em software, não apenas no casco.
Os cofundadores Paul Lwin, de 40 anos, e Joe Turner, de 42, lideram a HavocAI, sediada em Providence. Eles exibem demonstrações para investidores e para membros do Congresso, promovendo a ideia de simplicidade operativa: o software, segundo eles, torna o uso acessível a soldados sem formação avançada em robótica.
Na última rodada de financiamento, a Série A de 100 milhões de dólares foi liderada por fundos como Cobalt e Boardman Bay, elevando a captação total da HavocAI para perto de 200 milhões de dólares. A startup disputa espaço com a Saronic Technologies, que levantou 1,75 bilhão de dólares recentemente, em um mercado de barcos-drone em rápido crescimento.
A diferença de modelo
Ao contrário de concorrentes que fabricam seus próprios cascos, a HavocAI compra ou encomenda embarcações para equipá-las com seu software de planejamento de rotas e tomada de decisão. O objetivo é manter o hardware simples e barato, com o diferencial tecnológico no controle autônomo.
A base tecnológica usa GPUs, sensores e câmeras para entender o ambiente, conectando as embarcações em uma malha de comunicação via rádio e Starlink. A empresa aposta em enxames de barcos, capazes de manter operação mesmo com perdas parciais.
Operação e testes
O grupo afirma já ter testado mais de 20 mil horas, com séries de até 25 barcos operando conjuntamente. Em termos de mercado, a HavocAI aponta interesse do Exército dos EUA e já entregou 32 barcos-drone, entre alugados e vendidos, além de drones aéreos. A 1ª Divisão de Cavalaria treina com os quadricópteros da Havoc.
A companhia sustenta que a plataforma é fácil de usar, um ponto visto como crucial pelo corpo militar para facilitar adoção entre soldados com variados níveis de treinamento. O enfoque permanece no software, com o hardware visto como meio para viabilizá-lo.
Contexto de mercado e visão de futuro
A indústria de barcos autônomos ainda está em estágio inicial, sem uso comprovado em combate em alto nível, embora haja emprego de dispositivos remotos em conflitos recentes. A Havoc mira ampliar a frota para cerca de 50 unidades neste verão nos EUA, visando ampliar a aplicação em missões de vigilância, remoção de minas e escolta.
Especialistas comentam que o setor deve ver consolidação, com grandes players buscando nichos. O objetivo da Havoc é consolidar-se como líder de um segmento específico: o comando de drones autônomos, com potencial de integração a plataformas existentes, como o Lattice, da concorrente Anduril.
História pessoal e motivação
Lwin nasceu na região de Burma, hoje Myanmar, e fugiu para os EUA aos 10 anos. Ele se tornou cidadão americano em 2000 e serviu 11 anos na Marinha, com atuação no Golfo Pérsico e três medalhas aéreas. Turner também é veterano da Marinha e já atuou em projetos de veículos submarinos.
A dupla saiu de empregos estáveis após ouvir um discurso governamental brasileiro sobre drones de uso militar e decidiu empreender. A Havoc começou a operar em janeiro de 2024, com foco em transformar tecnologia comercial em robótica avançada para defesa, mantendo a ideia de custo-benefício como vantagem competitiva.
Desafios e perspectivas
Especialistas alertam para o risco de consolidação com grandes players como a Anduril caso a Havoc não ampliar suas ofertas ou diversificar. Ainda assim, investidores enfatizam que a filosofia de hardware simples, aliada a um software poderoso, está alinhada ao atual interesse do Pentágono por soluções rápidas e custo-efetivas.
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