- Os EUA lideram nos “cérebros” da IA — grandes modelos de linguagem e chips avançados — enquanto a China se destaca nos “corpos”: robôs, especialmente humanoides.
- O lançamento do ChatGPT, em 2022, marcou o início da era dos modelos de linguagem de grande escala; hoje, mais de 900 milhões de pessoas usam o ChatGPT semanalmente, e o hardware (chips) sustenta a competição, com a Nvidia liderando o setor.
- EUA mantêm controle de exportação de chips avançados para a China, usando regras de produto estrangeiro direto; a produção de microchips é, em grande parte, terceirizada para Taiwan.
- A China lançou o DeepSeek em janeiro de 2025, provando que pode competir com menos chips; isso impactou fortemente a Nvidia e acelerou a autossuficiência chinesa em IA.
- Na robótica, a China tem vantagem: cerca de dois milhões de robôs em operação e 90% das exportações globais de robôs humanoides; ainda assim, os EUA continuam à frente nos cérebros que controlam os robôs, incluindo IA agente.
Na corrida pela IA, EUA e China disputam a liderança em frentes diferentes. Enquanto os norte-americanos dominam os modelos de linguagem, a China avança em robótica e na aplicação de IA em corpos, como drones e humanoides. O confronto envolve laboratórios, universidades, startups e decisões governamentais que moldam trilhões de dólares.
A OpenAI lançou o ChatGPT em 30 de novembro de 2022, marcando o início de grandes modelos de linguagem de escala. Hoje, o ecossistema americano conta com empresas como Anthropic, Google e Perplexity, que aceleram o desenvolvimento de LLMs. A base de hardware, sobretudo chips, sustenta boa parte dessa vantagem.
Os EUA mantêm controle rígido sobre exportação de chips avançados, com foco em impedir o acesso da China a tecnologias críticas. A maioria dos componentes usados para treinar LLMs vem de empresas dos EUA, com a Nvidia destacando-se como fornecedora dominante. Taiwan abriga a maior parte da produção de chips de ponta.
O contra-ataque chinês
Em janeiro de 2025, a China lançou o DeepSeek, um chatbot com IA que concorre com LLMs ocidentais, mas com custos de treinamento bem menores. O governo chinês favorece modelos abertos, permitindo que desenvolvedores utilizem e melhorem códigos disponíveis, o que facilita a disseminação de IA pelo mercado doméstico.
Esse movimento intensificou a competição por cérebros da IA, ampliando a desaceleração da dependência de hardware caro para o treinamento de modelos. Estima-se que o DeepSeek tenha impulsionado avanços significativos no ecossistema chinês de IA, segundo especialistas.
Além de modelos de IA, a China tem forte atuação em robótica, com cerca de dois milhões de robôs operando no país. O governo investe pesado em subsídios e pesquisa, facilitando a integração de IA em robôs de uso industrial e de consumo, como entregas por drones.
Robôs humanoides e aplicação industrial
A China lidera a produção de robôs humanoides, usados para suprir mão de obra em áreas como cuidados e indústria. Em Chongqing, existe uma fábrica automatizada com milhares de robôs, capaz de produzir veículos em ritmo acelerado, embora sem supervisão humana constante.
Por outro lado, nos EUA, o foco em cérebros contínua: chips e software de IA para robôs e aplicações autônomas continuam sob liderança norte-americana. A interligação entre hardware poderoso e IA avançada permanece crucial para o desempenho de robôs no mundo real.
Desdobramentos e contextos
Especialistas ressaltam que a vitória na IA não é definida por um único marco, mas pela capacidade de aplicar a IA de forma eficiente na economia. A China pode reduzir custos com IA, tornando-se competitiva mesmo com modelos menos sofisticados, enquanto os EUA mantêm vantagens em determinados componentes e patentes.
A discussão aponta para um cenário em que cada lado atua conforme suas regras, com impactos na inovação, emprego e estratégias de defesa tecnológica. O futuro da IA pode depender de quem conseguir ampliar o uso prático e seguro da tecnologia.
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