- O sociólogo José Szwako diz que a IA pode ampliar negacionismo e fake news nas eleições de outubro, devido ao rápido avanço tecnológico.
- Ele ressalta que o problema não é a tecnologia em si, mas o modo como é usada e regulada, destacando a importância do enforcement para identificar e punir usos indevidos.
- Não adianta demonizar plataformas; a solução é criar mecanismos institucionais eficazes de regulação e responsabilização no contexto eleitoral.
- O negacionismo é complexo e tem raízes no Brasil, com maior associação à extrema direita, mas não é exclusivo desse espectro e pode surgir em diferentes grupos.
- Entre as medidas, Szwako recomenda ampliar a capilaridade das informações, melhorar a linguagem das mensagens e antecipar debates, com foco em regulação e responsabilização da circulação de desinformação.
A evolução da inteligência artificial e o avanço tecnológico podem ampliar o negacionismo e a propagação de fake news durante as eleições de outubro. A avaliação é do sociólogo José Szwako, professor da UFRJ, que lança o livro Negacionismos & Extrema-Direita.
Em entrevista ao UOL, Szwako alerta que o risco não depende apenas da tecnologia, mas de como ela é usada e regulada. Ele afirma que já existem instrumentos institucionais e tribunais voltados para conteúdos na internet, com foco na identificação e responsabilização de atores que utilizam as ferramentas indevidamente.
Para o sociólogo, demonizar a tecnologia não resolve o problema. O desafio está em criar mecanismos institucionais eficazes de regulação e responsabilização, especialmente em contextos eleitorais críticos.
Segundo Szwako, a IA sozinha não gera efeitos automáticos; o que importa são os usos políticos que amplificam desinformação ou strategies negacionistas. O pesquisador descreve o negacionismo como um fenômeno complexo, enraizado em identidades, valores e interesses que influenciam o público.
O autor aponta que a relação entre negacionismo e extrema direita ficou evidente a partir de 2018, quando ataques a universidades e cientistas ganharam destaque durante a campanha presidencial. Ele afirma que esse cenário mostrou uma lógica organizada de desinformação ligada ao conhecimento científico.
Apesar da associação com a extrema direita, Szwako ressalta que o negacionismo não é exclusivo desse campo e pode aparecer em diferentes áreas do espectro político. Ele sustenta que o uso estratégico do conhecimento científico serve para fins políticos e de construção de legitimidade pública.
Para combater o negacionismo, o sociólogo defende estratégias além da simples correção de informações. A atuação pública deve buscar a construção de confiança, com comunicação institucional voltada a políticas que dialoguem com a população.
Entre as propostas, Szwako cita ampliar a capilaridade das informações, dialogando com redes locais, influenciadores e lideranças comunitárias; investir em linguagem acessível que traduza evidências sem jargão; e não apenas reagir, mas antecipar temas sensíveis e mapear ecologias desinformacionais.
Ele também ressalta a importância de uma regulação mais clara das plataformas, com responsabilização pela circulação organizada de desinformação. Em resumo, para o sociólogo, enfrentar o negacionismo requer atuação governamental firme e uma estratégia de comunicação pública robusta.
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