- A guerra entre e Irã quebrou, mas não derrubou completamente, a bolha tecnológica da região, com investimentos de países do Golfo ainda em foco, mas sob risco.
- Empresas Americanas como Nvidia, Tesla, Apple, Google, Microsoft e outras foram listadas pelo Irã como alvos potenciais, apontando fragilidade das operações de data centers e infraestrutura tecnológica na região.
- O Saara combina milhões/bilhões investidos para tornar Dubai e Abu Dhabi polos de inteligência artificial, mas ataques com drones e mísseis já afetaram centros de dados no emirado.
- A relação de segurança com os EUA continua importante para o Golfo no curto prazo, mesmo com sinais de insatisfação e busca por maior resiliência interna e acordos defensivos com outras nações.
- Mesmo diante do conflito, as visitas e acordos de investimento seguem, com o Golfo mantendo grande poder de capital e sinalizando interesse em manter vínculos tecnológicos de longo prazo, além de explorar participação de players chineses.
O conflito entre Irã e potências ocidentais atingiu o setor de tecnologia na região do Golfo, trazendo dificuldade para a continuidade de investimentos. A guerra abriu um hiato entre promessas de expansão de data centers e a segurança das operações, com impactos ainda incertos para gigantes de tecnologia que participaram de encontros na Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar.
Empresas dos Estados Unidos, entre elas Nvidia e Tesla, estiveram na mira de ataques que o Irã prometeu como retaliação a ações militares recentes. A lista de alvos inclui ainda Apple, Google, Microsoft, Meta, Intel, Oracle, Cisco, HP, IBM, Dell, Palantir, GE, Boeing, J P Morgan Chase e a empresa de tecnologia dos Emirados G42. A Reuters verificou contatos com as companhias para medir impactos, mas as respostas foram negativas ou ausentes.
O contexto envolve um aperto sobre a infraestrutura de dados da região, que vinha sendo moldada por investimentos maciços de várias empresas ocidentais. Observadores apontam que a imagem de Dubai e Abu Dhabi como polo seguro de tecnologia pode ter sido fragilizada, ainda que não tenha havido interrupção completa dos projetos.
Especialistas destacam que, apesar da tensão, o relacionamento estratégico com os Estados Unidos permanece relevante. O Golfo não parece avaliar uma ruptura de curto prazo com Washington, mas pode buscar maior resiliência local a longo prazo. A assinatura de acordos de defesa com a Ucrânia em recente semana indica diversificação de parcerias.
Apoio financeiro do Golfo aos EUA não se deu apenas em tecnologia. Fundos soberanos como Qatar Investment Authority e Mubadala seguem investindo em infraestrutura de IA e saúde nos EUA, mesmo com o fogo cruzado. Analistas ressaltam que o volume de capital disponível do Golfo continua atraindo investidores ocidentais e chineses.
Especialistas também ressaltam que a viabilidade de a região sustentar seu ecossistema de dados depende de fatores como disponibilidade de energia, escala de compute e coordenação entre governos e empresas. O custo de infraestrutura para suportar 5 gigawatts de computação é elevado, e a sanção de fornecedores externos pesa sobre a estratégia de longo prazo dos investimentos.
Em meio ao cenário, persiste a percepção de que a região pretende manter sua liderança em centros de dados e IA como motor de crescimento econômico, com ou sem a presença contínua de empresas americanas. Pesquisadores e consultores apontam que a região pode intensificar cooperações com parceiros não ocidentais para reduzir vulnerabilidades futuras.
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