- Mahsa Alert é uma plataforma de mapa e aplicativo (Android e iOS) criada por voluntários para fornecer informações de ataques e zonas de perigo em Irã, sem um sistema público de alertas governamental.
- O serviço funciona offline e envia notificações quando forças de Israel alertam sobre ataques, além de mapear locais de ataques confirmados e zonas de evacuação.
- O projeto, apoiado pela organização de direitos digitais Holistic Resilience, usa verificação de investigações de código aberto (OSINT) para confirmar relatórios antes de adicioná-los ao mapa, com backlog de mais de três mil relatos.
- O aplicativo registrou grande crescimento, passando de quase zero para mais de cem mil usuários ativos diários, com cerca de 335 mil usuários neste ano; cerca de 28% afirmam acessar o serviço de dentro do Irã.
- O Mahsa Alert enfrenta ataques distribuídos de negação de serviço e tentativas de domínios falsos ligados à ferramenta, destacando os riscos de continuar contando com informações crowdsourcing em contexto de blackout digital.
Mahsa Alert é uma plataforma coletiva criada por voluntários iranianos para tentar preencher a ausência de um sistema público de alertas. O site e os apps Android e iOS visam informar cidadãos de Irã sobre ataques, locais de impacto verificados e zonas de evacuação.
O projeto surgiu em meio ao conflito entre Irã, EUA e Israel e à interrupção contínua de acesso à internet. A iniciativa é liderada pelo grupo de direitos digitais Holistic Resilience, com participação de voluntários e especialistas em OSINT (inteligência de fontes abertas).
A ferramenta funciona offline e prioriza atualizações breves. Usuários podem baixar dados como APKs para manter o acesso mesmo sem conexão estável. Updates costumam ter entre 60 e 100 kilobytes.
Como funciona Mahsa Alert
Uma camada do mapa exibe locais de “ataques confirmados”, verificados por equipes ou por investigadores voluntários a partir de vídeos ou imagens recebidos por Telegram ou redes sociais. Também constam alertas de evacuação emitidos por forças israelenses.
Ao lado, o mapa indica zonas de perigo, como instalações associadas ao programa nuclear ou militar do país, para orientar o público. O projeto também mapeia câmeras de vigilância, postos de controle e infraestrutura doméstica.
A plataforma já alcançou grande visibilidade global, com usuários que somam centenas de milhares. Dados indicam que cerca de 28% dos usuários podem acessar o serviço a partir do Irã, segundo os responsáveis.
Desafios e limitações
Os criadores ressaltam que o sistema não substitui um serviço governamental de alerta em tempo real. Existe um backlog de mais de 3 mil relatos ainda não verificados ou impossíveis de confirmar. Verificações seguem critérios rigorosos antes de incluir informações no mapa.
Desde o lançamento, Mahsa Alert enfrentou ataques de negação de serviço e tentativas de comprometer domínios. Também houve registro de domínios paralelos ligados à marca, sem relação com o projeto original.
Apesar das limitações, a iniciativa permanece como recurso adicional para documentar o conflito e oferecer orientação prática a quem está no terreno. Os voluntários ressaltam a necessidade de mais recursos para expandir a verificação e a cobertura geográfica.
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